segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Primeira e única

 O ano era 1996 e fazia pouco mais de mês que eu tinha deixado a minha terra natal. Ainda assim, não foi uma ruptura propriamente dita, afinal, a distância não impedia voltar a sentir o minuano cortando o rosto e dando a sensação de que o inverno nunca ia embora. E para além disso, havia uma questão fundamental que impedia uma despedida plena: a eleição municipal. 

Meu Pai, com vasta experiência em bastidores e coordenações de campanhas políticas, naquele momento já não detinha a mesma entrega e importância de antes, porém ainda abraçou aquela que foi uma das suas últimas jornadas nas entranhas dos "diretórios"; sobremaneira na reta final. Recordo bem do carro embandeirado, daquela carreata gigante, dos últimos comícios nos confins mais inóspitos da minha cidade e dos mosquitos borrachudos dividindo espaço com o povo aglomerado para escutar os candidatos; aliás, também lembro do grande comício final no CTG e da noite de sábado, véspera do pleito, onde estava eu guri sentado no sofá numa sala ampla da casa do candidato a Prefeito, em meio a muitas bolas amarelas sorridentes e outros materiais de campanha, enquanto os adultos em reunião no ambiente ao lado.

A certeza era de vitória, com uma contagem apertada de votos - como figurava a história nos certames de nós contra eles; todavia, o sentimento (ao menos) era de vitória.

Com a abertura das urnas veio a primeira e única frustração que já tive com política na minha vida: perdemos, por trezentos e poucos votos. Sim, foi uma vitória sorrateira do lado de lá e isso me causou revolta; minha mãe chorava e praguejava o "povo burro". Meu Pai, como de costume, resignou-se. Na minha cabeça e diante de tudo que eu via e ouvia à volta, o mundo para a minha cidade acabava ali, naquela derrota.

Depois, me afastei da política a medida que meu Pai também abandonou a vida partidária. No segundo turno das eleições gerais de 1998 ele, pela última vez, fez uma movimentação ativa no que compete uma campanha. Nunca deixei de gostar, mas entendi ali que a política tinha tirado tanto da minha família, que esse era um caminho que eu não deveria traçar, tampouco percorrer. Obviamente, como diria Jaime Caetano Braun "o vício é que nem sarnoso, nunca para e nem se ajeita". Tive algo parecido com uma 'recaída' no âmbito da política estudantil, por 'longos' dois anos já quase no fim da minha minha carreira nos bancos escolares.

De lá pra cá, um ou outro devaneio e mais derrotas morais do que vitórias da consciência.

O mais engraçado de tudo é que quem ganhou a dita eleição na minha terra acabou ficando no poder por oito anos e, pasmem, a cidade não terminou. Seguiu em frente e mesmo que não tenha evoluído muito ao meu entender, nunca parou. Não foi o fim do mundo.

Perder uma eleição é democrático; nunca o fim do mundo.

Neste Brasil polarizado de hoje em dia a sociedade, imbuída num fanatismo néscio, caminha no sentido do "nós contra eles". Se antes quem buscava tão somente não se manifestar sobre o tema era 'deles', agora quem o faz somos 'nós'. Só que o fanatismo, tal aquele genérico que experimentei no meu tempo de guri, causa uma cegueira tão deliberada que isso tem nos impedido de entender que tanto faz quem vai ganhar, afinal, no outro dia vai ser uma segunda-feira como qualquer outra em que teremos de levantar da cama e ir à luta pois não existe "almoço grátis".

A minha cidade, a tua; o meu Estado, o teu; o nosso país, afinal, seguirá andando em frente - mais rápido ou quem sabe menos, mas andará. O Brasil, apesar dos piores, nunca deixou de ser uma Nação que anda pra frente. Quem ganha que cumpra o que prometeu e quem perde que saiba porque perdeu e trabalhe para mostrar a razão pela qual merecia ter continuado. Ambos, com inteligência, determinação e perseverança. Utópico, eu sei, mas de realidade pura e simples.

A democracia é isso: ganhar e perder, sempre. E é por isso que ela é tão importante, pois nos permite começar tudo de novo daqui a quatro anos. A primeira e única frustração que já tive com política na minha vida foi há 30 anos e de lá para cá eu entendi que não existe uma única verdade absoluta quando o assunto envolve política e campanha eleitoral.

Eles não são melhores que nós; e nós não somos melhores do que eles. O dia sempre amanhece de novo e a vida nos dá uma nova chance de recomeçar.

Pois bem, encerro nessa eleição o compromisso de cidadão na minha terra. De lá para cá foram doze eleições, quatro prefeitos, alguns vereadores, muitos deputados, senadores, governadores e presidentes. O que mudou foi eu que, passadas três décadas já não conheço mais quase ninguém ao andar na rua e isso me rotula, objetivamente, como um turista na minha própria cidade.

Mudar, logo, é preciso. Mas quem foi que disse que mudanças não podem ser boas?


Abraço e boa semana a todos.

sábado, 3 de outubro de 2026

A superioridade do cidadão

 É chegada a hora de mais uma vez exercermos nosso poder de cidadão neste país. Neste pleito elegemos Presidente, Governador, dois Senadores, Deputado Federal e Estadual. Desde a redemocratização, já tivemos alguns processos eleitorais nestes moldes (sem contar é claro as eleições municipais), e eu pergunto para você cada eleitor, cada eleitora, também leitores deste blog: 

o que mudou de lá para cá? Seus eleitos fizeram alguma coisa por você? Enfim, entrar neste tipo de discussão não trará resultado prático algum certamente.


O que nos resta é olhar daqui para frente. O passado já foi feito, o presente está sendo construído (aqui não entramos no mérito se bem ou mal) e o futuro, bom, neste caso específico, só depende de nós mesmos. Somos nós que decidimos e mais ninguém. Resta estarmos tomados por uma serenidade infinda na hora de depositar o voto na urna eletrônica e exercermos nosso poder de cidadãos no processo eleitoral mais democrático do mundo. É minha gente, nem tudo está perdido neste nosso vasto país chamado Brasil. Agora, é torcer para que o nosso próprio povo tome consciência da importância que isso tudo representa para o desenvolvimento da nossa sociedade.

Eu não vou abrir o meu voto aqui, em respeito a Constituição Federal que dita que ele é secreto; a liberdade de escolha de cada um de vocês que não necessariamente precisa ser igual a minha e por entender que este blog não tem vocação política alguma. Tanto que este texto é mais social do que político, assim como noutras tantas vezes me manifestei sobre o assunto.

O que devo fazer neste momento é pedir a cada um de vocês caros leitores e leitoras, que aproveitem este tempo que resta até as 8hs de domingo próximo para refletir na escolha dos seus candidatos. Não se iludam com propostas mirabolantes, e procure escolher deputados e senadores que vão realmente fazer alguma coisa por nós. Lembrem-se, representar o povo não é profissão. Desconfiem daqueles que já estão lá a dois, três mandatos (ou até mais) e vem para o rádio, televisão, redes sociais e palanques eleitorais pregar renovação. 

Enfim, é chegada a hora de exercermos nosso poder de cidadão. Esse é um dos únicos momentos que nós temos para exercer nossa superioridade. Uma escolha equivocada pode fazer com que fiquemos mais quatro anos esperando por coisas, que convenhamos, dificilmente vão vir.

Lembrem-se, amigos e amigos, que a realidade é sempre tão mais cruel do que realmente imaginamos.

Bom voto a todos. Viva à democracia!

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Fechando a cancela

 Setembro, o nosso mês farroupilha, vai se findando nesta edição 2026 e leva junto consigo um "gosto de quero mais"; ao menos para aqueles que jamais esquecem o quão valorosa é a tradição gaúcha. 

A tradição que fomenta nossa cultura, duma cultura que jamais esquece da tradição.

O ano de 2026 ainda marca o retorno de muitas cidades às programações farroupilhas, como em Araricá e Campo Bom; e outras que entraram no circuito dos Acampamentos, como Nova Hartz.

E não porque a tradição tá na moda, afinal, moda e tradição não convivem bem. Mas, porque o nosso povo agora entende que somente nós mesmos podemos valorizar do que é nosso, para que o restante do país também respeite e, quem sabe até, valorize também (e enfim!).

Muitos fandangos, shows e artistas correndo o Rio Grande além fronteiras para engrandecer ainda mais a música gaúcha.

Ainda há espaço para melhorar, é verdade. Todavia, não há do que se queixar.

Outros setembros virão e a nossa tradição demonstrará que jamais morrerá.

Por ora, agradecemos ao povo nosso que não foge a luta.


Viva setembro e viva o Rio Grande!

domingo, 20 de setembro de 2026

Ser Gaúcho...

 Estamos diante de mais um 20 de setembro, Dia do Gaúcho. A semana farroupilha vêm garantindo que a cada passar de ano se renovam as esperanças dos tradicionalistas quanto ao engajamento do nosso povo, às coisas da nossa gente. 

Por certo que a identidade com o tradicionalismo e as coisas do Rio Grande deveria vir de berço e a bandeira do Rio Grande deveria servir de cobertor ou poncho a qualquer um que sentisse frio. A realidade, tão mais dura, no entanto, vem nos mostrando que as portas do mundo globalizado tem escancarado as fronteiras não só do pensamento, do sentimento mas também da nossa história. 

A cada dia que passa, a nossa origem se torna mais uma página de um livro qualquer e e vai abandonado os resquícios de nossa realidade. Há sem dúvida nenhuma uma total inversão de valores.  Não vai muito, logo, não mais sequer valorizávamos o que é nosso, mas sim, o que é dos outros.

Mas, estes tempos parecem que ficaram pra trás!

Com a insistência de muitos, a tradição voltou a figurar "na moda", aqui sem qualquer sentido pejorativo.  Muitos voltaram a demonstrar orgulho de ter nascido aqui nestes pagos. Muitos voltaram a ter orgulho de vestir uma bombacha e demonstrar de onde vem. Gaúcho e gaúchas de todas as querências estão arranchados sobre os pelegos no desfrute das coisas da nossa terra em Acampamentos espalhados pelo Rio Grande e até mesmo fora dele. 

O mate está sempre quente e aquela costela gorda está sempre pingando sobre um braseiro. Ao fundo, uma cordeona botoneira e um velho pinho num costado entoam a nossa glória, o nosso respeito e a nossa tradição em forma de canto. Nos CTG's, viram-se as noites em vigília sob a luz da chama crioula e ao dançar de vaneiras, chamamés, xotes e milongas, afinal, nesta época do ano baile é coisa que não falta. 

O ser gaúcho como todos vocês bem sabem é muito mais profundo do que simplesmente nascer no perímetro do nosso estado. Não somos uma raça, mas sim as raças é que fazem de nós o que somos. Um dos ideais da Revolução Farroupilha é a Liberdade. Não poderia e nem pode haver um povo sob a tirania de qualquer que seja. Contudo, não se pode andar pra frente sem saber o que ficou pra trás.

No fim das contas, merece o Rio Grande a nossa felicitação e cortesia, afinal, devemos a ele tudo que somos.

Hoje é Dia do Gaúcho, sem luxo, mas com a certeza de que empunhar esta bandeira e cultivar a nossa tradição é bem mais que moda: é liberdade e convicção.

Viva o 20 de Setembro!

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Agenda Farroupilha 3

 Quanto mais perto chegamos do 20 de Setembro, mais a gauchada se entrevera para partilhar e sorver da nossa cultura e tradição.

E não faltará fandango até setembro acabar:


***

ACAMPAMENTO FARROUPILHA DE ARÁRICA:




***

ACAMPAMENTO FARROUPILHA DE SAPIRANGA:






***

FESTEJOS FARROUPILHAS DO PARANHANA (Taquara):




***

SEMANA FARROUPILHA DE CAMPO BOM:









***

SEMANA FARROUPILHA DE SÃO CHICO:






***

Hoje (18/9) tem fandango com OS BERTUSSI no CTG Querência, de Nova Hartz.

***

Em Estância Velha, os CTG's Mourão da Estância e Gaudérios da Saudade também tem pogramação com fandangos ao longo deste final de semana.


***

Novidades de agenda, voltamos.

Bom final de semana a todos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Agenda Farroupilha 2

 E segue em cantiga, prosa e verso a nossa Semana Farroupilha, que já está no ápice dos seus melhores dias de gauchada hermanada.

Iniciando pela programação de Campo Bom, que começa hoje.


***

SEMANA FARROUPILHA DE CAMPO BOM:




***

ACAMPAMENTO FARROUPILHA DE SAPIRANGA:





***

Boa semana a todos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Agenda Farroupilha

 O momento mais aguardado no mês de setembro é, sem dúvida, a Semana Farroupilha; que hoje dá a largada na imensa maioria das cidades povoando gaúcho e gaúchas em torno do cultivo à nossa cultura e tradição.

E a agenda é extensa:

***

Acampamento Farroupilha de Araricá:



 

***

Acampamento Farroupilha de Sapiranga:






***

Semana Farroupilha de São Chico:





***

Festejos Farroupilhas do Paranhana/Taquara:





***

Tchê agenda!

Novidades, voltamos.


Abraço e bom final de semana a todos.