segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Saudades do velho verão

Nunca pensei que um dia eu pudesse dizer isso, mas eu começo a sentir saudades do verão, aquele tradicional com um mormaço desgraçado e um calor senegalês dos infernos, com o perdão das palavras chulas. O que ocorre é que neste momento alguns andam pelas ruas agasalhados uma vez que a temperatura passou pouco dos 10 ºC nesta manhã de segunda-feira. O detalhe, é que faltam apenas sete dias para o começo do verão, que deveria ser a estação mais quente do ano. Digo deveria pois assim não está sendo até agora, pelo menos. Ao fazer uma recapitulação do que escrevi nesta mesma época nos dois últimos anos, vejo que a questão climática mudou consideravelmente. Nos anos de dois mil e oito e dois mil e nove eu escrevia pregando a abolição do verão(hehehehe), ou quase isso. Agora eu nem mais posso fazer isso, afinal, o verão mesmo ainda não deu as caras. Antes as chuvas vinham e iam embora. Agora, começa a chover e não para mais. Enfim, a realidade meteorológica nos trás muito mais incertezas do que afirmações e pelo jeito a coisa vai continuar assim por um bom tempo. O fato, é que eu já não consigo mais acreditar naquilo que falam no rádio. Virei uma pessoa com o pé atrás sempre.
No momento em que escrevo este texto ouço ao fundo um dos tantos temas musicais próprios de natal. Muito original não fosse o fato de que fazem no mínimo quinze dias que estas músicas já estão aí povoando as ruas. Se a estratégia do comércio é ganhar os clientes no cansaço, ou seja, tentar enfiar o espírito natalino goela abaixo cada vez mais cedo, acho que não estão conseguindo. Pelo que ouço aqui e ali, o movimento até agora pouco se alterou, e o pior, está abaixo do que se presenciou no ano passado. Pelo que recebo de propaganda por e-mail, as compras pela internet também não estão muito melhores. Mas isso é uma percepção de quem ainda engatinha no mercado do consumir. Minha contribuição tributária ainda é bem maior no ramo da prestação de serviço do que na de consumo. Quem sabe um dia as coisas mudem não é verdade, afinal, alguns passos sem volta eu realmente já dei. Ouso dizer que este desatino por parte do comércio de vender em trinta dias o que não conseguiu em um ano, tende a espantar os clientes e não o contrário. As pessoas hoje em dia já tem consciência do que querem, Creio nisso, pois até eu, um poço de dúvidas convicto, já tenho na mente aquilo que irei comprar para alguns. Sem contar que algumas coisas eu até já comprei antecipadamente. Não em face da pressão comercial, mas sim, por decisão própria mesmo.
Lamento que alguns amigos não puderam estar presentes no fandango no CTG Terra Nativa, no último sábado. Baile véio daqueles de dançar de lado, com sala cheia do início ao fim. Encerrar o ano deste jeito é sempre uma motivação extra para um novo ano que se chega. Tal fato, todavia, não supre a necessidade de uma decisão que tenho que tomar o quanto antes. Quem me acompanha com freqüência sabe bem que no mês de outubro eu escrevi aqui um texto entitulado “Decisão”, afirmando que deveria tomar uma posição de certa forma até irreversível. Tal situação ainda pulsa com força na minha cabeça, hora para um lado, hora para outro. É chegado o momento de dar um rumo na minha vida para não acabar prejudicando os outros. A “decisão” a que me refiro ainda não está tomada, mas haverá de ser. Quando chegar este dia, dependendo qual seja, será o dia mais difícil de minha vida. Mas necessário, e isso, isso é o que me conforta.
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Abraço e boa semana a todos.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Fandangueiro

Élio da Rosa Xavier, vulgo Porca Véia, geralmente abre os seus bailes com esta letra citada logo abaixo. Letra, aliás, que vem de encontro ao convite que farei no rodapé desta página, afinal, sábado é dia de fandango com o Fandangueiro.

Fandangueiro
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Hoje é dia de fandango, já estou de bota lustrada
Com a emoção de sempre e a cordeona preparada
Tomei um trago de canha prá deixar a goela afinada
Já está quase tudo pronto e hoje eu viro a madrugada

Se tem coisa nesta vida que faz feliz um gaiteiro
É sentir a casa cheia e o calor do entreveiro
Algum olhar de morena na penumbra do candieiro
Num baile de chão batido e um trancão de fandangueiro

Sou fiel aos meus princípios, capricho em tudo que faço
Eu nasci prá ser gaiteiro e hoje sou pai do gaitaço
Se o surungo for cumprido não dou bola pro cansaço
Meto gaita a noite inteira, tenho confiança no braço

Hoje eu vim prá fazer a festa, tenho raça de peão
Morro seco e não me entrego, sou crioulo do pontão
Se a morena vier no baile magoar meu coração
Quem sabe eu chore outro dia, hoje eu garanto que não
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Prezado Amigo(a)
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É com muita estima que venho através deste de pronto deixar o meu abraço agradecendo-lhe pela amizade de sempre.Após um breve recesso longe dos palcos, eu, juntamente do o grupo Fandangueiro, estou aqui para fazer-lhe um convite daqueles imperdíveis, um baile "véio" flor de macaudo no:
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CTG Terra Nativa - Novo Hamburgo/RS

Dia: 11/12/2010 (sábado)
Hora: 20h30 (com janta)
Valor: Não informado
Local: Rua Sapiranga, nº 1080.


Será uma alegria imensa revê-lo. Nada como encerrar o ano em grande estilo.

Desde já agradeço a sua atenção de sempre.

Forte abraço e eum ótimo final de semana


CAMPEIRO
BLOGDOCAMPEIRO.BLOGSPOT.COM

WWW.FANDANGUEIRO.COM.BR
FANDANGUEIRO: DE VOLTA A ESTRADA

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Pra relembrar e matar a saudade (parte 1)

Dando ensejo a nova série do Blog do Campeiro, "Pra relembrar e matar a saudade", trago nesta abertura um texto sobre um assunto que está bem presente no nosso cotidiano atual.
Postagem original: Segunda-Feira, 01 de dezembro de 2009.
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Sentimento de Natal
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Hoje no início da manhã ao deslocar-me para o local em que me encontro neste momento, estava com o rádio sintonizado na Gaúcha e em um intervalo comercial eis que surgiu uma propaganda mais ou menos neste estilo: Para a Tramontina, o sentimento de natal é o ano todo. Em primeiro lugar, quero dizer que descrevo o nome das empresas aqui por livre espontânea vontade pois não tenho problema algum em divulgá-las. Em segundo, esclareço também, que não recebo nem um real para mencionar o nome de tais empresas, bem como até hoje não permiti propaganda no espaço deste blog que não tem nenhuma pretensão comercial. Mas voltamos ao assunto originário. Minha intenção desta vez não é tratar sobre algo vinculado na mídia, nem de argumentar sobre o conteúdo da propaganda feita pela empresa. O que chamou-me atenção foram três palavras: Sentimento de Natal. Aí está o verdadeiro sentido de tudo, de nossa vida mudar quando chegamos às proximidades do dia vinte e cindo de dezembro. O ser humano como pessoa única dentro dum contexto formador de sociedade é tomado, em sua maioria, por este sentimento que propicia torná-lo uma pessoa melhor, mais digna e humanitária, estendendo ao próximo tal façanha e fazendo com que toda a humanidade passe a ser um pouquinho melhor. O sentimento de natal esta aí, é um fato verídico e visível, mas será que ele só pode, ou só deve existir nesta época do ano?
Creio que o próprio informe comercial da Tramontina já diz tudo: o ano todo! Mas, afinal, porque não funciona o ano todo? Será que é porque as pessoas não têm dinheiro nos demais meses do ano? Ou é porque realmente a um fundo religioso presente nesta história toda? Dia vinte e cindo de dezembro é a data que se comemora o suposto nascimento de Jesus Cristo. Suposto, pois ninguém sabe se realmente existiu e se, caso tenha existido, nasceu realmente nesta data. Quem estuda história sabe muito bem que a história é contada pelo próprio homem e que por isso, está sujeita aos seus juízos de valores que nem sempre são dos mais corretos. Mas isso não é exclusivo da história religião no mundo ao longo dos tempos, acreditem. Aproveitando o gancho, ontem a noite escutando a mesma rádio, ouvi do tradicionalista e colorado Bagre Fagundes (entrevistado em face à polêmica gre-nal da vez) que o homem desde os seus primórdios é fadado a brageiragem e a corrupção. Tais elementos ínfimos estão presentes em todos nós desenvolvendo-se externamente, felizmente, numa pequena minoria que já sabemos muito bem quem são. Este é mais um questão histórica e polêmica a ser discutida, e como todo o bom debate, será interminável. Por favor, deixo bem claro que não chamei ninguém de corrupto e nem fiz analogia a isto. O foco é em cima da transcrição do pensamento do Bagre Fagundes, fazendo uma analogia a evolução humana ao longo dos tempos.
Não sei dizer se o sentimento de natal teria o mesmo valor se existisse durante o ano inteiro. Este sentimento está unido à magia e a fantasia de algo inexplicavelmente diferente, e só é bem quisto por todos porque é diferente. No natal podemos sonhar sem sermos chacotados, afinal, todos sonham. Queira Deus que este ano eu também seja tomado por este sentimento natalino e que eu possa sonhar, sonhar e sonhar também. Mas queira Deus que a partir do dia vinte e seis de dezembro eu possa ter maturidade suficiente para pelo menos tentar pôr em prática uma parte destes sonhos, sob pena, de ter sonhado em vão, ou então, de ver algum sonho meu virar pesadelo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Em mim mesmo

Há mais de dez dias já ando ouvindo aquela tradicional musca natalina pelas ruas das cidades em geral. O comércio se aflora e inflama seu estoque, afinal, natal é natal. E eu que até bem pouco tempo atrás achava que o natal não era uma da ta consumista. Creio hoje ser muito mais consumista do que religiosa, entretanto, não vagarei novamente pelos pensamentos mundanos de cerca de dois anos atrás. Já não penso mais daquele jeito, ou pelo menos me esforço para tal, pois, no final das contas, o que importa é a felicidade das pessoas e não o que eu pensei ou deixei de pensar um dia, num passado tão, tão distante. As pessoas são sim mais felizes nesta época do ano. Talvez as coisas nem melhorem, continuem mesmo como estão, mas no natal renovam-se as esperanças e os sonhos de uma vida um pouco mais digna. Vejam bem, não é eleição que mobiliza o povo. É o natal! Por que? Porque no natal há a magia de um novo tempo e na política a desilusão do mesmo sempre. Orgulho-me de hoje fazer parte desta maioria que acredita que o natal é realmente uma data única. Nem sempre foi assim, admito com todas as letras, mas tenho mudado com o tempo. Ainda não como eu gostaria, mas bem melhor do que eu era. Chegarei lá certamente, assim como o natal uma hora chega. E é por isso que o comércio começa a fazer propaganda com tanta antecedência.
Enquanto eu digitava o último texto, ao tratar da nova série que haverá aqui no blog “Pra relembrar e matar a saudade”, pensei em trazer textos em ordem cronológica, porém, só com os escritos em 2010. Aí, deparei-me com um texto escrito no dia 01/12/2009 que tem tudo haver com o que dita o natal. Paro por aqui, afinal, se eu falar hoje já não terei o que postar na quarta-feira (hehehe). Mas voltando a nossa realidade, afinal, o mundo não para em face ao natal, gostaria de aproveitar aqui para tratar de um assunto pertinente: futebol. O Fluminense na tarde de ontem sagrou-se bicampeão (ou tri) brasileiro de futebol. Título merecido tendo em vista o trabalho realizado pelos jogadores e pela comissão técnica, liderada pelo competente Murici Ramalho. Assisti os últimos instantes do jogo da equipe carioca com o já rebaixado Guarani e confesso que fiquei, eu diria, “um pouco ansioso” uma vez que sou anti Corinthians até debaixo d'água e eu não ficaria nem um pouco alegre se o “timãozinho” fosse campeão. Justiça feita, afinal. No ensejo do título do Fluminense, aproveito para parabenizar o Sr. Giovani Luigi pela eleição que o elevou a condição de Presidente do Sport Club Internacional no biênio 2011/2012. Num primeiro momento, cheguei até a ficar inclinado a votar no seu adversário, mas aí o mesmo utilizou-se de artimanhas eleitoreiras pouco úteis, como se sabe, e caiu no meu desgosto. O Presidente do meu clube acima de tudo tem que portar-se como tal. Espero que o Luigi tem hombridade, competência e serenidade para administrar o colorado daqui para frente.
Em suma, tratei de começar falando do natal e terminei por tratar de futebol. Respeito todas as crenças futebolísticas dos leitores deste blog, mas como não fico em cima do muro nunca, acabo curvando as notícias do meu time do coração. Seria hipocrisia da minha parte sim, se eu ficasse aqui tratando de ser político. Não sou político e nem pretendo ser. Já fui. Trato disso como um aprendizado de vida. Não me arrependo do que fiz. Só assim posso corrigir aquilo que fiz de errado. Tinha problemas como natal e hoje não tenho mais. Tinha problema com um monte de coisa e hoje não tenho mais. A minha solução? Esta em alguém que amo, mas principalmente, está em mim mesmo.
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Abraço a todos e uma boa semana.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Pansa



Esta não é a primeira vez que venho ao espaço do Blog do Campeiro afim de fazer uma agradecimento em nome do grupo Fandangueiro. Com o passar dos anos, o Fandangueiro vem traçando uma trajetória na música gaúcha e esta, só foi possível graças aos amigos que fizeram parte da nossa família. Os adventos da correria do dia a dia, no entanto, nos obrigaram a fazer algumas mudanças ao longo deste quase quatro anos de estrada e agora, mais uma, fez-se necessária aos anseios do grupo. Ele nasceu Ademar Veríssimo, mas foi como “Pansa” que ficou conhecido em todo o meio musical da região do vale dos sinos e porque não dizer da serra também, visto que tocou por um tempo no antigo meretrício de São Francisco de Paula. Teve sua origem na música gaúcha, mas ao longo do tempo pendeu aos musicais e por ali fez sua vida guitarreira. No início de dois mil e nove foi-nos apresentado e a partir dali, não ganhamos só um companheiro músico para o conjunto mas também um grande amigo. Senhoras e senhores, uma figura ímpar, fora de série. Ao apresentá-lo durante os bailes, eu tratava de dizer que ele representava a nobreza do grupo, pois sua alma é nobre. Foram dois anos de parceria e companheirismo. Muitas horas de baile, muitas noites na estrada e uma repensa única que é a amizade que fica e perdura entre todos nós.
Quis o destino nos levar para caminhos diferentes a partir de agora. A poucos dias atrás, eu já havia comentado que mudanças ocorreriam no Fandangueiro a partir de dois mil e onze. Um fato de saúde, um susto, ocorrido com nosso companheiro Mauro (agora já está tudo bem), nos fez adiantar algumas providências e assim mais uma mudança foi feita na nossa família. O contrabaixista Carlos também deixou o grupo. Em nome do grupo Fandangueiro agradecemos ao Carlos por nos acompanhar por este ano de dois mil e dez.
Em nome do grupo Fandangueiro quero fazer mais que um agradecimento ao “Pansa”, quero fazer uma saudação a sua pessoa. A ti meu amigo, dedico apenas um até breve pois tenho certeza que logo dividiremos o mesmo palco novamente. Muito obrigado.
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Aproveito o espaço para saldar o retorno do grande Tom Miang ao contrabaixo do grupo Fandangueiro. Da mesma forma, dou as boas vindas ao Pedro, um bugre cria lá de São Luiz Gonzaga que a partir de hoje assume a guitarra do grupo. Boa sorte a todos nós!
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Eu prometi para mim mesmo que não falaria sobre o fim do ano esta semana, que começo a tratar disso a partir da semana que vem. Porém, acho que posso ao menos dar uma prévia do que pretendo neste derradeiro de dois mil e dez. A partir de semana que vem, provavelmente às quartas-feira reeditarei os melhores textos que escrevi ao longo deste ano. Cerca de quatro ou cinco textos a princípio. Sei que eu mesmo sou suspeito pra escolhe-los, por isso será uma tarefa difícil mesmo. Todos os textos sobre o título “ Pra relembrar e matar a saudade”. Espero que todos gostem de reler estes trabalhos.
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Grupo Fandangueiro estará hoje no DTG Sinuelo Marista junto ao Colégio Pio XII em Novo Hamburgo. Este evento é particular, direcionado aos membros do departamento. Sábado que vem fandango velho cuiúdo no CTG Terra Nativa também em Novo Hamburgo. Desde já estendo o convite a todos vocês.
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Um forte abraço e bom final de semana a todos.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Bochincho

Ontem ao voltar para casa após a faculdade, fui repassando as estações de rádio salvas no aparelho do meu carro até que me deparei com o já finado, mas nunca esquecido Jaime Caetano Braum declamando a sua poesia mais celebre: Bochincho. De pronto me veio à tona os últimos acontecimentos no Rio de Janeiro e cheguei a conclusão que o título da obra vinha a calhar. Num contraponto, nada melhor que abrir o derradeiro mês de dezembro, no já quase findo ano fatídico de dois mil e dez, com as palavras do maior pajeador que já se conheceu pelos campos deste mundo afora. Esta, é dedicada aos amigos e amigas que jamais deixaram de acompanhar este blog:

Bochincho

A um bochincho certa feita
fui chegando de curioso
porque o vício é que nem sarnoso
nunca para nem se ajeita
baile de gente direita
de pronto eu vi que não era
na noite de primavera
gaguejava a voz de um tango
e eu sou louco por fandango
que nem pinto por quirera

Atei meu zaino longito
num galho de guamirim
desde guri sou assim
não brinco, não facilito
em bruxas não acredito
pero que las hay, las hay
sou da costa do Uruguai
meu velho pago querido
e por andar desprevinido
a tanto guri sem pai

Num rancho de Santa Fé
de pau-a-pique cravado
num trancão de convidado
me entreverei no banzé
chinaredo a bola-pé
um ambiente fumacento
e um cadeeiro bem no centro
num lusco-fusco de aurora
pra quem chevava de fora
pouco enchergava lá dentro

Dei de mão numa pinguancha
que me cruzou do costado
e já sai entreverado
entre a poiera e a fumaça
oigalê china lindaça
morena de toda crina
dessas da venta brasina
com cheiro de lechiguana
que quando ergue uma pestanha
até a noite se ilumina

Misto de biaba e de santa
com ares de quem é dona
e um gosto de temporona
que trás água na garganta
eu me agarrei na percantao
mesmo que um carrapato
e o gaiteiro era um mulato
que até dormindo tocava
e a gaita choramingava
que nem namoro de gato

E a gaita velha gemia
às vezes quase parava
de repente se acordava
e num vanerão se perdia
e eu contra a pele macia
daquele corpo moreno
sentia o mundo pequeno
bombeando cheio de enlevo
dois olhos flores de trevo
com respingos de sereno

Mas o que é bom se termina
cumpriu-se o velho ditado
eu que dançava enbalado
nos braços doces da china
escutei de relancina
uma espécie de relincho
era o dono do bochincho
meio oitavado num canto
que me olhava num canto
mais sério do que um capincho

E foi ele que se veio
pois era dele a pinguancha
bufando e abrindo cancha
que nem touro de rodeio
quiz me partir pelo meio
num talonaço de adaga
que se me pega me estraga
chegou a levantar um cisco
mas não é atoa chumisco
que sou de São Luís Gonzaga

Tenho visto coisa feia
tenho visto judiaria
mas ainda hoje me arrepia
lembrar daquela peleia
talvez quem ouça não creia
mas vi brotar no pescoço
do índio do berro grosso
como uma cinta vermelha
que desde o beiço até orelha
ficou relampiando o osso

O índio era um índio touro
mas até touro se ajoelhac
ortado do beiço à orelha
amontoou-se como um couro
e aquilo foi um estouro
daqueles que dava medo
espantou-se o chinaredo
e aquilo foi uma zoada
parecia até uma eguada
disparando num varzedo

E é china que se escabela
redemunhando na porta
e chiru de guampa torta
que vai direito a janela
num grito de toda goela
num berreiro alucinante
e índio que não se garante
vendo sangue se apavora
e se manda porta a foral
evando tudo por diante

E a coisa ia meio assim
balanceei a situação
já quase sem munição
e todos atirando em mim
qual ia ser o meu fim
me dei conta de repente
não vou ficar de semente
mas gosto de andar no mundo
me esperavam na dos fundos
eu sai na porta da frente

E dali ganhei o matoa
baixo de tiroteio
e ainda escutava o floreio
da cordiona do mulato
e pra encurtar o relato
me bandeei pro outro lado
cruzei o Uruguai a nado
pois meu zaino era um capincho
e a história desse bochincho
faz parte do meu passado

E a china?
Essa pergunta me é feita
cada vez que eu declamo
e é uma coisa que eu reclamo
e acho que não é direita
acho até uma disfeita
e entender nem consigo
eu no medonho perigo
de uma situação brasina
todos perguntam da china
e ninguém se importa comigo

A china eu nunca mais vi
no meu gauderiar andejo
talvez em sonho a veja
num bárbaro frenesi
talvez ande por aí
no rodeio das alçadas
ou talvez na madrugada
seja uma estrela chirua
dessas que se banha nua
no espelho das aguadas.

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Abraço a todos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O Rio, a utopia e uma vida nova

Quando dei-me por conta, na sexta-feira, já estava voltando para casa. Digo isso em função de não ter postado nenhum texto neste dia. Corri tanto, que acabei por esquecer-me. Assim sendo, faço um esforço “sobrenatural” (hehehe) no dia de hoje e aqui estou escrevendo algumas breves linhas acerca de um assunto que pouco foi falado nestes últimos dias: Rio de Janeiro. Num primeiro momento pensei em não falar do assunto, afinal, a imprensa mundial já o vem fazendo incansavelmente em todos os meios de comunicação existentes. Entretanto, penso em trazer aqui um ponto de vista acerca da situação toda. Longe de mim querer achar que tenho alguma especialidade em segurança. Falarei como um cidadão comum, que preocupa-se com os rumos que a nossa sociedade moderna esta tomando principalmente no que tange a questão da segurança. Seria demagogia de minha parte achar que nosso problema mora apenas na falta de segurança. Esta é apenas a que é eclodida com o advento do caos social em que vivemos. A bandidagem é fruto da desigualdade e do tráfico de drogas. Mas não é só isso. Todos nascem seres de bem e alguns se desvirtuam virando bandidos. Será? Para mim, existem quatro tipos de pessoas: os que nascem e morrer seres de bem, os que nascem seres de bem mas tem desvio de caráter, os que nascem seres de bem e viram bandidos e os que já nascem bandidos. E é essa última classe a mais perigosa de todas, porque eles, eles não tem nada a perder.
Vejamos a situação do Rio de Janeiro. Por algum motivo o qual não sabemos (e talvez nunca viemos a saber), traficantes da capital carioca, mais precisamente da Vila Cruzeiro e depois do complexo do Alemão, resolveram barbarizar a cidade ateando fogo a carros de civis e ônibus coletivos. Aí a polícia resolveu tomar uma atitude e, vendo possivelmente que não daria conta sozinha, recebeu auxílio das Forças Armadas. Para quem acompanha um pouquinho de noticiário só que seja, sabe muito bem que não é a primeira vez que o tráfico no Rio de Janeiro tenta sitiar a cidade. Aí eu me pergunto: por que só agora nossos governantes resolveram responder a altura mostrando quem deve mandar realmente? Incógnita meus caros e minhas caras. Daquelas perguntas sem resposta certamente. Só sei que eu pensei que isso jamais fosse acontecer, Sempre achei que uma hora ou outra a bandidagem ia descer o morro e a polícia não ia tomar atitude alguma. Felizmente parece que eu estava errado. Digo parece, porque não sei o que acontecerá daqui para frente. Para onde irão os chefões do tráfico que conseguiram fugir. Como ficarão as comunidades que agora parecem estarem “salvas” do controle do tráfico. A polícia ficará lá até ter certeza que estão limpas? Peguntas senhoras e senhores, a vida é feita de pergunta.
Erradicar a vida criminosa é uma condição utópica, eu sei bem disso, agora, inspirado no processo do Rio de Janeiro, a polícia gaúcha bem que podia dizimar algumas facções que exitem por aqui. Se fará eu não sei. Já não duvido de mais nada. O que sei mesmo, é que de nada adianta expulsar traficantes de seus redutos e deixar as favelas abandonadas a qualquer sorte. Já que levaram quarenta anos para tomar uma providência, que os governantes agora vão até o fim, começando um processo de urbanização das favelas, já que é impossível extirpá-las do mapa. Um bom começo e gerar emprego para população, afinal, ninguém mora em vila ou favela porque quer, mas sim, porque ainda sim são melhores que ir para debaixo da ponte. Um atitude louvável é dar educação para esta gente. Construir uma escola na entrada de cada morro é sim uma bandeira da vitória. Uma nova vida começa pela educação, pois só assim, seremos um só povo e uma só nação. Com uma vida nova, é claro.
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Abraço e boa semana a todos.