terça-feira, 9 de março de 2021

Há uma década...

 Há uma década no Blog do Campeiro é uma seção que deveria ter começado aqui já no ano passado, mas me passei um pouco e acabou ficando para 2021. Pois de agora em diante, uma vez a cada mês, trarei uma publicação do mês que estamos só que há 10 anos atrás.

Vamos ver o que mudou no meu pensamento de lá pra cá, na vida de todos nós, além de curiosidades e lembranças.

Se bandiamo:

Março: 

Onde o céu é mais azul (de 09/03/2011)

Nos primeiros dias deste feriado prolongado em virtude do carnaval, peguei a estrada e rumei à fronteira oeste do nosso estado a caminho da gloriosa Santana do Livramento. É claro que eu estava bem interessado nos free shops de Rivera, já do lado Uruguayo de la frontera, entretanto, como um bom gaúcho que sou e com o orgulho que tenho deste nosso Rio Grande não podia deixar de ir apreciando a paisagem que se apresentava e assim, conhecer mais um pouco destes rincões existentes no nosso estado. Por ter saído já quase no meio da tarde sábado, acabei por pernoitar em Rosário do Sul, cidade com bastante história para contar e uma traíra grelhada do reconhecido restaurante Terraço de continuar dando água na boca até agora. Grandes e antigos casarões, avenidas e praças que difundem as páginas das coisas deste nosso Rio Grande. Apesar de ser uma viajem longa, garanto-lhes que vale a pena cada quilômetro rodado. É um enriquecimento de cultura, história e paisagem. Acostumado principalmente com os campos dobrados de nossa serra, as várzeas planas da fronteira retratam uma diferente planície, no entanto, tudo é Rio Grande e o povo é inconfundível.

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Ontem ao meio dia eu assisti televisão pela primeira vez durante este feriadão de carnaval. Nunca me fez falta e agora, depois de adquirir algum conhecimento ou então de abrir os olhos para a realidade, assisto menos ainda. Quando assisto, todavia, tento aproveitar o que tem de bom nas noticias que surgem, se é que há alguma notícia sem algum interesse comercial. Mas enfim, assistia a um programa “noticiário” um pouco antes do início da tarde e alí tratava-se do município de Panambi, região norte do estado, que ao contrário da maioria dominante dos municípios brasileiros não fez feriado durante este carnaval. Com todo o direito, vale salientar, tendo em vista que o carnaval não é legalmente considerado feriado mas sim ponto facultativo, ou seja, para quem quer. Mas aí eu questiono: se todo mundo costumeiramente para, já não deveria ter sido revisto isso? Não pensem que eu estou aqui defendendo o carnaval. Não desfilo e não tenho nem assistido aos desfiles, contudo, respeito quem gosta e como é um evento definitivo no Brasil, deveria ser tratado como feriado. Se uns são agraciados, todos deveriam ser. É apenas uma questão de justiça, afinal, pelo menos 90% do país para, incluindo órgãos públicos e os bancos. Colocar na pauta do congresso tal discussão de nada atrapalhará o desenvolvimento do país, já que nossos nobres deputados e senadores pouco fazem para isso mesmo.

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Já no domingo pela manhã rumando em direção a Livramento, ao olhar para o céu, tive a impressão de achá-lo mais azul. Em princípio parecia ser apenas uma ilusão de ótica, mas depois, ao refletir um pouco, pude perceber que não tratava de uma ilusão mas sim de uma constatação. Não, a cor do céu não tem duas ou mais tonalidades, mas, a poluição bastante encontrada aqui nos nossos centros parece não transparecer tanto por aqueles lados. Não que não haja, mas é menor. Na fronteira vemos gaúchos e gaúchas andando a cavalo pelas ruas, os carros são em menos quantidade, há poucas indústrias e muito gado, plantações de arroz, soja e outros. Pode-se dizer assim que o ar é mais puro, mais límpido e o céu é bem mais bonito. Aqui nos dias mais bonitos há sempre uma espécie de fuligem e lá não. Eu neste carnaval descobri onde o céu é mais azul e se a estrada é longa faço crescente as ânsias, pois se é cheia a inspiração, são minguantes as distâncias.

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São minguantes as distâncias, quando há beleza no destino...
Boa semana a todos.

sexta-feira, 5 de março de 2021

Música gaúcha no rádio

 Semana passada cruzei em parte do estado de Santa Catarina. Não era o melhor momento de viajar (e continua ainda não sendo), mas foi quando deu pra ir e as vezes a vida é assim, temos de fazer determinadas coisas, mesmo a rigor não querendo. 

Sempre que vou pra lá, quando começo a ficar mais perto da divisa já sintonizo a rádio Mampituba/Nativa (99.5 fm), da cidade de Sombrio, que praticamente tem programação voltada ao público gaudério quase que 24h por dia. Música boa. 

Aí me recordo que por aqui, ao menos na nossa região metropolitana e até mesmo na minha serra gaúcha, não temos uma rádio que assim o faça. Vejamos que São Chico, uma das cidades mais gaúchas de todo o estado (ou assim já foi um dia), mesmo no auge das rádios locais não tinha nenhuma com programação exclusiva. Mas em Sombrio tem. 

E isso não começou de agora. Recordo-me que há muitos anos atrás (20 ou mais), certa feita fomos veranear na praia de Bom Jesus (Arroio do Sal) e na casa tinha um rádio. Procurando alguma coisa me pare numa estação com música gaúcha e por lá fiquei. Era a Rádio Nativa de Sombrio, hoje com nome principal de Mampituba. 

Nesse mesmo tempo, vimos a famosa rádio Liberdade de Porto Alegre ir se esvaindo, perdendo seu dial, até perder sua própria existência (se existe ainda nem mesmo eu sei). Graças a internet, por vezes escuto algumas rádios da fronteira, que ainda não se entregaram.

Em Novo Hamburgo e região ainda há de se louvar que duas rádios (88.7 e Alegria) ainda concedem um espaço para a música gaúcha, sendo uma delas diariamente.

Mas é muito pouco, convenhamos.

A propósito, hoje logo cedo o comunicador Roger Morais anunciou que estava deixando a Rádio 88.7, onde apresentava o programa 'O som do sul'. Espera-se que o programa siga existindo, ao menos.

E assim, a música gaúcha vai minguando cada vez mais. Só não o fez ainda por completo porque ainda existem gaudérios como este que vos escreve que prefere morrer seco a se entregar.

Só que o tempo vai passando pra todo mundo e uma hora as novas gerações esquecem definitivamente o que é nosso.

É pena!

Bom final de semana a todos.

terça-feira, 2 de março de 2021

Preteou o olho da gateada

 Outrora, o mês de março no Brasil representava o início (efetivo) do ano corrente. Pois agora, chegamos a março de 2021 e descobrimos que a situação parece mais séria agora do que nunca. Ao menos nos estados do sul do país. Falo-lhes, obviamente, da pandemia.

Hospital Moinhos de Vento, o maior particular do Rio Grande, anunciou que terá de depositar os mortos em um contêiner. Que coisa.

Vejam que lá pelos idos de 2012 ou quem sabe 2013, numa das cadeiras da faculdade assisti a uma autópsia de um ser humano, ao vivo. Pensei ter visto ali o suficiente para não me surpreender com mais nada, afinal, se materializava naquele instante que nós, humanos, a rigor não somos nada e aquele era um exemplo claro.

Mas saber que nossos (de alguém, enfim) amigos, familiares, mães, pais, avós, tios, filhos, enfim, serão amontuados num contêiner, não deve ser fácil para ninguém. Parece que é ainda pior do que já vi.

Que Deus proteja a todos nós!

Que as pessoas criem vergonha na cara e usem máscara; parem de se aglomerar; tenham mais empatia, ao menos, pela vida do próximo.

Mais não digo!  

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Culpa de quem?

 Boa parte do Rio Grande do Sul, inclusive capital e região metropolitana estão sob "Bandeira Preta", último grau "colorido" antes de um lockdown. Leitos clínicos e UTI beirando o esgotamento e um alto índice de contaminação. 

Mas de quem é a culpa?

Claro que colocar nos governantes é o mais fácil. Isentá-los, também não dá. Onde estava o nosso Governador, que agora prega que o caos tá chegando, quando pouco ou nada fez para coibir cenas lamentáveis de praias superlotadas durante o carnaval; tal qual o processo eleitoral que foi um verdadeiro oba oba. Porque não foi como quando determinou interdição da faixa de areia para evitar "aglomeração" decorrente do feriado de Iemanjá/Nossa Senhora dos Navegantes?

Talvez porque se perde mais voto proibindo o oba oba no carnaval do que em evento de cunho religioso.

Mas, é claro, que uma boa parte da população, os que estavam se aglomerando nas praias, que não sabem ou querem usar máscara na rua, dentre outros, é que são os principais culpados.

Também é verdade que o povo é o reflexo dos que lhe governam.

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Gasolina já passa com folga os R$ 6 em algumas cidades do interior do RS. Já passa com folga dos R$ 5 na capital e região metropolitana.

Petrobrás compra em dólar para vender na bomba pro brasileiro em real? Quanto que tá mesmo a cotação do dólar?

Mas de quem é a culpa?

Em Porto Alegre o kg da picanha já ultrapassa os R$ 100. Tá faltando boi no pasto, será?

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E a vacinação parou, por?

Perguntas, enfim.

Afinal, a culpa é de quem?

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Fogo de Chão

 O universo das lives não acabou, embora claramente tenha dado uma arrefecida. Pois bem.

Neste domingo, dia 21, às 11h, tem uma "live Baile Gaúcho" com o Conjunto Fogo de Chão, hoje aquerenciado na cidade de Mafra/SC.

O Conjunto Fogo de Chão tem bastante história cantada em prol da nossa tradição, com alguns sucessos como "Sapecando a Vaneira", "Entre Amigos" e a regravação de de "Um Vistaço ma Tropa. Mais recente, algumas músicas comerciais como "Guri Medonho" e "Cinquenta Pila".


O evento, ao que indica, também marca o retorno oficial do vocalista Charlinho que, juntamente com o grande Kiko Rotta, comandam a cantoria do Conjunto.

Sucesso e bom "baile".

Bom final de semana a todos.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Morre Telmo de Lima Freitas

 Perdemos hoje o grande compositor e cantor Telmo de Lima Freitas. Sem dúvida, uma perda irreparável para a nossa música gaúcha. Um expoente da nossa tradição que nos deixa, mas também deixa imortalizada sua obra na sua e na voz de grandes cantores.



A composição "Esquilador" talvez seja a que mais seja ventilada quando falamos em Telmo de Lima Freitas: "Quem vendeu tesouras na ilusão povoeira, volte pra fronteira para se encontrar".

Clássico do nativismo.

Agora a sua composição que provavelmente fez mais sucesso, muitos sequer sabem que seja de sua autoria: a valsa "Lembranças". Sim, o sucesso imortalizado na voz do grande Porca Véia é de autoria de Dom Telmo, que pela primeira vez teria sido apresentada no festival da Ciranda Musical, em Taquara/RS. Logo após gravada com novo arranjo pelo Porca Véia (que também gravou "Recorrendo os Aguapés", "Matiné", "Marca Borrada" e outras tantas).

De minha parte, uma das músicas mais belas que já conheci (inclusive tentaria regravar se um dia tivesse a oportunidade), chama-se "Defumando Ausências" (gravada por Os Tiranos, dentre outras como a bela milonga "Serenata"), outro brinde que Telmo de Lima Freitas nos proporcionou.

Como não falar em "Prenda Minha", clássico do cancioneiro gaúcho que, inclusive, tocou em minissérie global. 

Natural de São Borja, Telmo de Lima Freitas faleceu na sua casa, em Cachoeirinha, aos 88 anos de idade. Havia perdido sua esposa há cerca de 6 meses.

Deixa enlutados filhos, família e uma legião de gaúchos que sempre lhe admiraram.

Meus sentimentos à família e à nossa tradição. 

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Unidos do sofá

 Nem isso, em 2021. Para aqueles que nunca foram muito apegados ao carnaval, tal qual este que vos escreve, até no ano passado a folia muito se resumia (se muito) ao sofá, para assistir aos desfiles do Rio de Janeiro. No meu caso, tentativas muito frustradas já que o sono sempre me perseguia e eu não via a "mangueira entrar".

Em suma, este ano a coisa ainda foi mais deprimente. Num contexto geral e para todos.

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Lembrei este final de semana de quando estive na quadra da Portela, em 2013. Bela feijoada. Tradição do Rio de Janeiro como um todo.

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Deveria ter trabalhado no final de semana. Sem inspiração, não o fiz. Mas deveria.

Deveria ter efetivamente descansado a mente no final de semana. Nem pra isso me surgiu inspiração.

Não o fiz.

A real é que meus dias tem sido mentalmente cansativos ultimamente.

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Quem sabe março as coisas achem um rumo. Porque fevereiro acho que já foi, ainda que na metade.

Unidos do sofá?

Pois é.


Boa semana a todos.