quarta-feira, 19 de julho de 2017

O mundo véio tá virado.

Quebrei geada hoje pela manhã em Novo Hamburgo, algo pouco comum na cidade, admito. Segunda-feira, vi neve em São Chico, embora por pouco tempo. O que teve mais foi a chuva congelada. Promete-se, todavia, a volta dos dias amenos beirando o calor para semana que vem, isso em pleno inverno.

O mundo véio tá virado!

Vi gente tirando fotos dos seus carros brancos de geada, hoje pela manhã. Mas qual a novidade de geada em pleno inverno?

O mundo véio tá virado!

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Já, ontem, estive em Caxias do Sul, visita rápida. Embora a crise tenha trazido transtornos para a cidade, que a bem da verdade mal conhecia a palavra desemprego, ainda acho um município organizado, com senso de planejamento e concepção urbana.

As cidades da região metropolitana não têm isso, por exemplo. Lá na entrada da rua tem uma placa com o nome. Em todas em que já passei. E o centro tem ordem. Lugar de carro é numa pista e de ônibus é em outra. 

Estava mais frio, obviamente. Mas Caxias do Sul me trás uma ideia interessante de futuro.

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Sugeri, ontem, em uma conversa que o facebook tinha criado uma legião de imbecis funcionais. Na realidade, não criou, apenas apresentou para o mundo. Eles sempre existiram, mas não tinham coragem, em sua maioria, para se apresentar em público. Já agora, atrás de um computador, em lugar muitas vezes não sabido, fica mais fácil. Se a bobagem for muito acintosa, basta apagar. Simples, como a vida, não acham?

O mundo véio tá virado e ponto final.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Festa do Pinhão

Começa hoje o segundo, e último, fim de semana da Festa do Pinhão em São Chico. Desta vez não me farei presente, por motivos pessoais e familiares. Não sei se já não tinha ido em alguma festa antes, mas, das 21 edições, devo ter estado em quase todas. 

Nem por isso, todavia, deixarei de convidar a todos para se dirigirem aos campos dobrados de São Chico, fins de aproveitar e degustar o patrono da festa, o pinhão.

No campo da boa e velha música gaúcha, hoje tem Os Tiranos e domingo, no encerramento, Volnei Gomes e grupo Cantando o Rio Grande.

Duas baitas opções!

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Prevê a meteorologia que o nosso veranico vai acabar e uma forte onda de frio, que deve trazer, inclusive, a tão festejada neve, está chegando a galope, a partir do domingo.

Segunda-feira cedo estarei em São Chico.

"Não podemo se entregá pro home."

Subo a serra de PALA e cuia. hahahaha

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Ontem estive em Gramado. Volto a elogiar a cidade que, do turismo, criou sua fonte de renda principal. Mostra como se faz e que dá para fazer.

Acorda São Chico!!!

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Senhoras e senhores, indico-lhes a Festa do Pinhão, no parque Davenir Peixoto Gomes - a Balança, em São Francisco de Paula/RS.

E um bom final de semana.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Meu pensamento ousado.

Mas por pouco eu não perco o prumo. De última hora tive de fazer umas corridas pelo Rio Grande e quase não deu tempo de chegar a tempo, com o permisso da velha e boa redundância.

Mas se bamo...

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Fica até difícil de falar algo sobre a nossa política. Hoje foi aprovada a Reforma Trabalhista, com alguns pontos interessantes e outros perigosos. Muito perigosos.

Só o tempo vai dizer quem teve razão.

Mas me parece que a julgar a situação do país, esta aprovação foi, de fato, na surdina.

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Ao menos por uns dias, a questão da reforma trabalhista cria uma cortina de fumaça em torno da situação delicada do Presidente que, agora, parece estar sendo fritado inclusive pelo Presidente da Câmara, seu eventual sucessor.

Ouso arriscar que entramos em agosto com um novo Presidente. E lá se vai mais um pouco da República.

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Dizem que o melhor do brasileiro é sua alegria. Também ouso dizer que é o pior.

Me parece que com isso perdemos o senso de indiguinação com as coisas erradas, simplesmente por achar que tudo pode ser resolvido com festa.

Não sei. Mas acho que vamos cruzar uma geração até termos chance do país ter algum futuro novamente.

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É ver para crer.

Boa semana a todos.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Chasque para um começo de julho

Permisso, paysanos, porque hoje falarei por aqui brevemente. Muita corrida, nos últimos dias, o que me impede de dedicar, de corpo alma, ao menos um quarto de hora para tecer alguma prosa ao pé da orelha com os amigos e amigas.

Entonces, vamos chasqueando.

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Começa hoje a 21ª edição da Festa do Pinhão, em São Francisco de Paula/RS. Este ano o evento volta ao Parque Davenir Peixoto Gomes, a popular Balança.

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Na próxima terça-feira tem João Luiz Corrêa e grupo Campeirismo na Sociedade Gaúcha de Lomba Grande, em Novo Hamburgo/RS.

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Por falar em Lomba Grande, no mesmo local amanhã os meus amigos do grupo Chão Gaúcho animarão um grande fandango.

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Já estão sendo vendidos os ingressos para o baile do projeto Tchê Garotos Origens, que reunirá a formação original do grupo de Porto Alegre. O evento será no Clube Farrapos, dia 12 de agosto.

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Retorna ao palco, hoje, na Festa do Pinhão, meu amigo Jardel Borba, após luta contra aquela doença cretina que me nego a dizer o nome. Ele vem agora com um projeto voltado a música gospel, preservando a nossa tradição gaúcha. Saúde e sucesso, grande amigo!

Abraço e bom final de semana a todos.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Independência e pobreza(de espirito)

Hoje é o dia da independência dos Estados Unidos. Fazem eles dessa data sempre belíssimas comemorações; são extremamente patriotas e orgulhosos de sua história. Você até pode não gostar dos EUA, mas é preciso respeitar a sua independência, com o perdão do trocadilho.

Quase igual ao nossa amor, enquanto brasileiros, por nossa pátria. Como, então, querer que o Brasil seja um país pujante se seus filhos não lhe amam?

Nesse ponto, precisamos copiar os norte americanos e muito.

A propósito, o povo brasileiro sabe o dia da nossa independência?

Nós, gaúchos, certamente temos um ideal mais estreito para com o patriotismo e o orgulho por ter nascido nesse chão. Está longe do ideal, mas é bem mais parecido com o que deveria ser.

Pobre Brasil!

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Por falar em independência, assisti este final de semana a continuação do filme Independence Day. Sorte a minha que passou na tv a cabo e não gastei para assistir (diretamente). 

É um filme digno de sessão da tarde e só.

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Soube que a Polícia Federal desbaratou uma quadrilha que visava fraudar concursos públicos e certames do gênero. Não sei o que é pior...

Aliás, sei, quem paga para adentrar no serviço público pelo salário e estabilidade, e não pela vocação.

Sem chance do Brasil dar certo.

Pobre Brasil!

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Por falar em televisão, vi de relance esses dias uma propaganda do governo do estado mostrando os “feitos” da secretaria de segurança.

Patético.

Um monte de gente segue morrendo de graça dia após dia.

Hoje o Governador fez coletiva para anunciar concurso com mais de 6 mil vagas. Edital sai em 30 dias. Sério, porque não convocou coletiva já com o edital em mãos?

Pobre Rio Grande!



Boa semana a todos.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Onde o povo está

Não sou lá muito afoito à televisão, principalmente a aberta. Mas, e sempre tem um mas em tudo, vez ou outra eu assisto alguma produção diferente que, por vezes, é de boa qualidade. Outras vezes começo e não sigo muito longe. Geralmente os programas melhores começam tarde demais e eu já perdi um pouco da embocadura para varar madrugadas, ao menos, em meio de semana.

Pois me recordo que quando a Globo apresentou a minissérie "Maysa", falando da vida da cantora que morreu em um acidente na ponte Rio-Niterói, Rio de Janeiro, a história começou com ela cantando numa churrascaria. Não foi o começo, mas a tentativa de retomada duma bela carreira que havia se perdido no meio do caminho, por várias razões.

Pois na semana passada o jornal Diário Gaúcho fez uma matéria em alusão aos 70 anos do grande Gaúcho da Fronteira. Entrevistaram ele animando um baile de terceira idade. Logo me lembrei da história da Maysa cantando na churrascaria, mas (e novamente o mas), contrário da cantora, não vejo isso como um demérito à carreira do Gaúcho da Fronteira, lenda viva da história musical do Rio Grande do Sul.

Olhei a matéria pela internet, com vídeo e tudo. Não me pareceu no vídeo, do contrário, aliás, que o Heber Artigas, mundialmente conhecido como Gaúcho da Fronteira, estivesse ali incomodado, ou abatido por não ter mais o espaço merecido em programas de televisão ou nos grandes eventos.

A mídia e nós o povo, temos um facilitado jeito tosco de não dar muito valor para as coisas que envelhecem. Somo afetados pela moda, pelo momento. Muitos artistas quando deixam de ser abordados no dia a dia, acabam por esquecidos. Quantos morreram à míngua?

Eu mesmo confessei estes dias para alguém que lamentava não ter visto um show do Milionário e José Rico. Artistas como estes arrastam multidões, entretanto, raramente figuram nas programações de festas das cidades por aí. Se estas festas são para o povo, porque não pensar em nomes da velha guarda?

Conforme a música, "disse o poeta, o artista vai onde o povo está. Por isso cantamos, a qualquer hora e em qualquer lugar".

O povo fez do Heber Artigas Armua Frós o reconhecido e grandioso artista Gaúcho da Fronteira, e ele sabe disso. Tanto, que não considera demérito algum tocar uma matiné para a terceira idade, se é lá que está o seu povo.

Gaúcho da Fronteira, por todo o sucesso e pelo modo que conduz sua carreira é mesmo grandioso e eu e todo o Rio Grande devemos nos curvar à sua pessoa.

Parabéns, Gaúcho da Fronteira, pelos seus 70 anos.

Sucesso sempre!

Bom final de semana a todos.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Relembrando (final)

Relembrar é viver, mesmo que com saudosismo ou nostalgia. A publicação de hoje não foi, nem de perto, a mais lida ou visualizada por aqui, mas deve ter sido um dos textos mais bonitos que eu já escrevi, carregado de emoção e honestidade. Foi uma homenagem ao grande Jader Moreci Teixeira, o Leonardo, que havia falecido, precocemente - vos digo, três dias antes. Leonardo responsável por grandes sucessos da nossa música, além de produtor responsável por lançar ao grande público artistas como Gaúcho da Fronteira. Mais tarde, soube da história dele com Régis Marques, o que me fez ter maior certeza que a homenagem que eu fiz foi muito bem vinda e necessária. 

Infelizmente, o Jader faleceu. O grande Leonardo, contudo, não morrerá jamais:

"Leonardo, um gaúcho!

Leonardo emalou seu pala branco e se foi. Não, contudo, sem andar por estas coxilhas, sentindo as flechilhas das ervas do chão. Este Homem do Pala Branco que através do seu canto olhou para o seu rebanho estendendo a mão, juntando ovelhas perdidas pelas estradas, veio sim, pedindo morada em nossos corações. E conseguiu. Esta cria de Bagé que falava de Erechim com história e canto e que cantava o Rio Grande com maestria e encanto partiu para uma nova morada. Jader Moreci Teixeira emalou seu pala branco e se foi. Não sem antes ter os pés rosetados de campo que ficam sempre mais trigueiros com o sol do verão. Fez tantos e magistrais versos cantando as belezas desta natureza sem par, e mostrou pra quem quiser ver que existe um lugar pra viver sem chorar. Fez do pago a sua bandeira de luta e dando um Viva a Bombacha pôs-se em defesa desta querência galponeira em que vivemos. Não importava se chovia ou fazia um sol de rachar, Leonardo nunca deixou de demonstrar a sua essência de gaúcho. Leonardo foi sim um gaúcho, um verdadeiro gaúcho. Não se considerava um pregador, um padre nem pastor. Segundo o próprio, era um autor que cantava as suas verdades. Não tinha credo em almas perdidas porque alguém com as mãos erguidas iria chegar além da vida para salvar a humanidade. O Gaúcho emalou seu pala branco e se foi.
Leonardo teve uma sensibilidade tamanha, que abriu seu peito pelas Tertúlias Rio Grande afora em defesa de nossas prendas dando um grito de Morocha não! Aprendeu e ensinou que um gaúcho não faz da sua prenda um capacho e que os deveres de um dito macho é proteger e amar. Ahh, o amor... O Jader amou este Rio Grande como poucos, amou o seu povo. Não esqueceu, todavia, daqueles Desgarrados do Pago que mesmo estando afastados nunca perderam sua identidade. Segundo ele, era o que mais tinha importância pois bem maior que o tamanho da distância é o tamanho da saudade. Leonardo emalou seu pala branco e partiu, não sem antes, banhar-se nas fontes e sentir horizontes com Deus. Sentiu em seu peito que as cantigas nativas continuavam vivas para os filhos seus. Ensinou-nos a jamais, repito jamais, perder a esperança das coisas deste Rio Grande. Viu os campos florindo e as crianças sorrindo felizes a cantar e mostrou mesmo para quem quiser ver qual é o verdadeiro lugar pra viver sem chorar. Subiu a serra e fez levantar o bugio que parecia lá em São Chico ter morrido de frio e estava sendo velado na beira do rio. Destapou o caixão e o danado sorriu, o bugio, um serrano ora, não morre de frio. Enfim o bugio não estava morto, roncou a cordeona e ele gritou bem alto: Levanta Bugio! Cantou com eficácia a saudade que sentia de Honeyde Bertussi, o cancioneiro das coxilhas.
Dá madrugada de domingo pra cá calou-se uma parte da nossa história. Perdemos parte do nosso brilho, do nosso encanto e já podemos dizer um: Que Saudade! A dor da perda, no entanto, se atenua quando em nossa mente surgem as boas lembranças de um gaúcho que ao longo de suas sete décadas de vida tratou de nos servir com seu talento, com sua genialidade e com sua perseverança. Um canto simples, puro e singelo que tratou de reunir fãs além fronteiras e que na boca desta gente não morrerá jamais. Se foi o Jader, mais o Leonardo continuará eternamente vivo nas páginas da história deste nosso Rio Grande. É nosso e do Leonardo este Rio Grande do Sul: Céu, Sol, Sul, Terra e Cor, onde tudo que se planta cresce e o que mais floresce é o amor. Leonardo daqui pra frente não estará mais junto a nós de corpo, mas sim, sempre de alma, canto, fé e esperança." (publicado em 10/03/2010)


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Em breve o BLOG DO CAMPEIRO alcançará seus 10 anos de atividade. A ideia de relembrar algumas postagens voltará por aqui.

Por ora, encerro, agradecendo a compreensão de todos.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Fogo cruzado

Está cada vez mais difícil ter esperança no Brasil, convenhamos.

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Nosso Presidente, que não admite largar o osso, vai passear nos países nórdicos da Europa e vira chacota, afinal, ninguém queria tal visita.

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A cada novo dia aparece uma nova presepada política/ criminal em Brasília e o povo parece inerte, achando de certo que é mais uma tolice, ou seriado americano. 

Acordem! Não tem nada de ficção. Tudo pura realidade!

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Aqui no Rio Grande a imprensa nacional flagra uma boca de fumo que se enxerga da janela da Secretaria de Segurança do Estado e o secretário de segurança nem envergonhado fica.

Pelo contrário, passa cachorro...

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Delegacias de Novo Hamburgo e São Leopoldo com 55 presos onde não cabem nem 20.

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Policial Civil morto com tiro na cabeça em cumprimento de mandado de busca e apreensão em Gravataí. Marido, pai de dois filhos, mais dois enteados.

É lamentável ver o rumo que tomamos.

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O apego a cargos supera, inclusive, a vergonha na cara de quem quer que seja.

É brabo começar assim um segunda-feira. É brabo ter de colocar este título na postagem de hoje. Mas a verdade é que nós, gente de bem, viramos os alvos do fogo cruzado. É crime para todo lado e não sei se quem puxa o gatilho é o criminoso mais cruel.

Boa semana a todos, se isso for possível.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Viver para viver

Alguns de nós, humanos, com o passar do tempo vão considerando que a vida só tem felicidade plena com a ampliação de bens materiais. Um carro melhor, uma casa maior e mais bonita. Pior ainda é quando começamos a olhar o que o outro tem e passamos a querer também, mal esse que não padeço, graças a Deus.

Mas, de fato, me perdi em algumas voltas da vida. Passei a me dedicar a coisas que não são tão importantes.

Há dez anos atrás eu trabalhava por menos que um salário mínimo. Tinha um Fusca que até hoje é a minha maior paixão em termos de carro. Quase todos os finais de semana saia a tocar baile, por uns vinténs, paleteando caixas de som antes e depois de cada evento.

Hoje tenho uma renda bem maior. O meu carro é mais moderno e mais caro que o Fusca. Já não tenho mais tocado baile e quando faço chego um pouco antes para passar o som e quando acaba volto pra casa. O peso maior que carrego é o de uma velha pasta com letras de música que cisma em me acompanhar.

A vida é mais fácil hoje, sem dúvidas.

Mas a verdade é que eu sinto uma boa saudade do que acontecia há dez anos atrás.

Mantendo-se o Bernardo e a Mariana, voltaria a andar de Fusca, ganhando pouco, paleteando caixa de som a cada final de semana.

Não é saudosismo ou hipocrisia o que aqui escrevo. Apenas me dou conta de que tenho hoje a oportunidade de voltar a fazer coisas simples, mas que sempre foram carregadas de felicidade.

Eu era um bobão naquela época. Hoje sou sério, o sorriso é pouco, me divirto menos ainda. Para dançar, num baile bem gaúcho, não vou há bastante tempo.

Vale a pena viver para sobreviver, apenas?

Viver para viver.

Vou tentar daqui para frente.

Texto bom para uma segunda-feira, fato. Mas achei que precisava ser hoje, então, aqui está.

Bom final de semana a todos.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Relembrando(parte 2)

Como segundo texto a ser relembrado, trago um que gostei bastante de ter escrito. Acho que serve para a reflexão de todos e, neste momento, principalmente uma reflexão minha do valor da vida.

"O Velho e o Rio

O Velho estava cansado. Nos últimos setenta anos tinha sido um peão de estância sem nenhum dia de folga ou férias, um único dia. Nem uma doença o atacava, o Velho não ficava doente, não podia ficar doente. Todas as manhãs encilhava o seu cavalo baio ruano e partia para mais uma campereada. Não sem antes é claro, apartar as vacas de leite. Teve também um tordilho negro e dois tubianos, mas o pingo baio ruano, a... Inesquecível. Nunca se queixou de sua lida na estância, mas naquele dia o Velho cansou. Alguma coisa não o tirou da cama forrada com pelego, algo estava diferente. O Velho estava completando oitenta anos naquele dia, que podia ser mais um dia igual aos tantos que já passou, com chuva, geada, neve, sol ou vento, ás vezes até uma mistura de tudo isso. Mas aquele, não era um dia igual aos outros. Não, não era. O Velho estava cansado.
Lembrou então o velho, sua memória estava intocável, do dia que completara dez anos de idade. Foi levado pelo pai até o povoado da capela de Santa Fé, não mais distante que sete ou oito horas da estância. Ficara maravilhado com todo aquele movimento, fora a missa e visitara bodegas e bolichos. Na ocasião ganhara de presente do pai um lenço colorado, o mesmo lenço que o acompanhara pelo resto da vida. Com dez anos de idade o Velho visitara pela primeira vez a civilização citadina. Fora também sua última, pois nunca mais saiu da estância, afinal, alguém tinha que fazer o serviço. O menino de dez anos de idade cresceu e acabou esquecendo do dia em que passeara com o pai. Mas naquela fatídica data, oitenta anos de idade, o velho lembrou. Mirou o prego fincado atrás da porta do quarto e avistou o mimo que o pai lhe dera. Judiado do tempo e do suor da lida, mas ainda assim intacto, bem como o amor e a admiração que o velho sentira pelo pai. O pai havia lutado ao lado de Bento Gonçalves na revolução farroupilha, a estância e uma junta de bois foram dados pelo próprio em agradecimento pela lealdade, fibra e coragem que o pai tivera ao lado do Presidente. O pai era um orgulho para o filho, não podia desaponta-lo jamais.
No entanto o Velho neste derradeiro dia sentiu algo diferente em si mesmo. Alguma coisa estava faltando. Vivia só, o velho, sem mulher nem filhos, afinal nunca teve tempo de procura-los mesmo, a lida não permitia. Custou a se levantar. Já de pé, olhou-se no espelho, coisa que a muito não fazia. Viu um rosto cansado coberto por uma barba que fazia uns cinqüenta anos que ali figurava. Então, pegou uma navalha velha que encontrara no fundo do armário, queria enxergar o homem que estava por trás daquilo. Saiu pro galpão sem a mesma agilidade dos últimos anos. Encilhou o pingo e montou com uma dificuldade que não existia até o dia anterior. O Velho estava cansado. Pegou o rumo do campo e passou a cavalgar a esmo, sem se preocupar com nada. Queria sentir o minuano batendo no rosto limpo, redobrando o chapéu e tremulando as franjas do pala.
Até que uma coisa fez o Velho parar abruptamente. Apeou do cavalo e ficou mirando aquilo de uma forma tão constante, que perdera a noção do tempo. Na sua frente estava o Rio. A o Rio. Quantas e quantas vezes tomara banho no Rio quando era criança. Ele conhecia aquele Rio, sua nascente, suas curvas, mas há setenta anos não se dava conta da existência daquele príncipe aguado. Bebia da sua água, a dava para os animais, irrigava o milho, o feijão e alguma outra coisa. Atravessava-o a cavalo quando o mesmo baixava, afinal tinha um capão de mato do outro lado. O pai estava lá descansando. Passava pelo Rio quase que diariamente mas sem vê-lo. Naquele dia contudo, foi diferente. Sentado numa pedra à sua margem, ouvindo o som sereno das águas correndo, o Velho se deu conta ali, que o Rio é igual a vida de qualquer um ser humano. Ele corre, encontra obstáculos, faz curvas, mas é também, calmo, ameno e sereno. Se deu conta então, o Velho, que durante setenta anos, viveu apenas metade da sua vida. Enxergou no leito do Rio, que qualquer um tem o direito de aproveitar um pouco da sua existência, que o trabalho engrandece um homem sim, mas que não é tudo. É preciso sonhar, amar, sentir medo e saudade. Só assim podemos ser completos.
O Velho estava cansado. E com fome também. Com fome de viver. Acreditem, nem mesmo os oitenta anos do velho foram capazes de impedi-lo de fazer o que queria nos seus últimos dias de vida. Nunca é tarde para se aprender a viver, mas quanto mais cedo a gente se dá conta, mais nossa alma estará completa.
O Velho e o Rio hoje andam juntos. E não há nada que possa impedi-los de serem felizes.
Únicos, o Velho e o Rio..." (publicado em 13/02/2009)

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Relembrando (parte 1)

Para começar, o texto mais lido da história deste blogue:

"Bombacha é coisa de homem?

Confesso a todos que eu estava me segurando pra não tratar do assunto, contudo, como este blog foi feito para divulgar e opinar sobre o tradicionalismo, eu não poderia deixar de tratar de tal fato. Seguidamente quando vou a São Chico compareço na loja de artigos gauchescos Casa do Gaúcho. Vou lá afim de olhar alguma coisa nova e acabo, inevitavelmente,comprando algo. Pois na última vez que lá estive, peguei um folheto de divulgação do estabelecimento que dizia mais ou menos o seguinte: Venha conhecer as bombachas femininas aprovadas pelo MTG. Confesso que levei um susto! Não pelo fato de existir bombacha feminina, pois isto não é mais novidade, mas, por saber que o MTG havia liberado um modelo para uso das mulheres. Não tive a oportunidade de olhar bem o modelo, porém, pude notar que o que diferencia tal peça, da que é usada pelos peões é uma espécie de flor bordada. Lembra a nossa flor símbolo: a maçanilha.
Comecei a me perguntar desde então, o que a bombacha feminina representa. Há pouco tempo atrás, o Movimento Tradicionalista Gaúcho proibiu veementemente a possibilidade de grupos ditos “tchês”, de desempenharem sua música dentro dos galpões de CTG. Os “tchês” também não podem se apresentar em Rodeios Crioulos quando estes forem organizados por CTG’s associados a entidade. Acho que o MTG agiu de forma correta neste sentido, mesmo respeitando a opção dos colegas músicos, pois creio que o ambiente do CTG é sim tradicional e para tanto, não pode haver mistura com uma cultura que não seja nossa. Agora, o MTG libera a bombacha feminina. Vejo que há uma falta de nexo nestas duas decisões. Ora, se pode mulher dançar de bombacha, pode o homem maxixar também, ou não pode? Antes que você, querida prenda que lê este espaço me chame de machista, quero esclarecer um seguinte ponto: Não sou contrário à utilização de bombacha pela mulher no dia a dia, ou na lida de campo (sim, mulheres também trabalham na lida de campo e ás vezes até melhor que o homem hehehe). Tampouco durante os rodeios quando estas participam da competição, pois, afinal, montar de vestido seria algo certamente muito desconfortável. Acho, todavia que, se encerraria por aí a utilização de bombacha pelas nossas prendas.
A lógica utilizada pelo MTG para banir os “tchês” dos CTG’s acredito que seja a mesma que deveria ser utilizada para as bombachas femininas. Se uma coisa é proibida, a outra também deve ser. Volto a salientar, não sou contra a bombacha feminina numa generalidade, sou contra apenas dentro do ambiente de um CTG, que, como falei anteriormente, é um local tradicional. Porque sou contra? Veja bem, a beleza de uma prenda está relacionada com sua feminilidade. Uma prenda de bombacha perde um pouco do seu encanto, pois aí não há uma diferenciação frente a um peão. Quero deixar bem claro que não sou preconceituoso, apenas neste ponto sou contrário. Creio que o tradicionalismo está aberto a evoluções sim, e até defendo isso, contudo, acho que neste ponto a bombacha é muito mais uma modinha do momento do que uma evolução. Se me provarem o contrário, bom aí pode ser que eu reforme esta minha idéia e aceite tal situação numa boa.
A modernidade está aí as nossas e é impossível caminharmos em sentido contrário, porém, é preciso que tomarmos cuidado pois nem tudo que está a nossa disposição é realmente importante. Eu tenho saudade da simplicidade do passado, quando as coisas eram mais trabalhosas e também mais bonitas. No passado, a bombacha era coisa de homem e o vestido de prenda ilustrava toda a beleza da nossa mulher gaúcha. Mas isso foi no passado. Ohh saudade...." (publicado em 25/05/2009)

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Boa semana a todos.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Chasque

Não tenho tido como cuidar aqui do blog como deveria. Outrora, neste mesmo mês de junho, meio que abandonei este espaço e demorei muito para retomar a confiança e a qualificada audiência de todos vocês.

A partir de semana que vem, passarei a reeditar aqui alguns dos bons textos que já escrevi. No meio deles, se possível, venho com alguma coisa inédita.

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Agradeço a todos pelas manifestações de carinho e pelas orações pela Mariana. Em breve tudo volta ao normal.

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Agradeço também pelas felicitações ao meu aniversário, hoje. Trinta anos. O que vem agora?

Espero que dias em que eu possa dizer que aproveitei o que a vida proporciona.

Bom final de semana a todos.

terça-feira, 13 de junho de 2017

O valor da vida

Precisamos de tão pouco para viver e encontrar a felicidade, mas ainda assim não fazemos direito. Eu mesmo, venho fazendo tudo errado há quase 30 anos.

Minha Mariana está no hospital. Sofreu um AVC. Aos 30 anos. 

Vou reproduzir aqui o que eu escrevi no facebook. Não sei quando volto. Mas sei que preciso viver melhor. Talvez escrever menos e melhor por aqui.

Grato desde já pelo apoio de todos.

"Lembro com riqueza de detalhes do dia em que conheci a Mariana Fernandes, na faculdade de direito da Unisinos. Quis o destino que a amizade virasse paixão, tempos depois.

Começamos a namorar e eu sinto que nunca fui um bom namorado, egoísta, mandão. Mas ela nunca me abandonou, apesar de tudo.
Casamos, nos formamos e eu continuo achando que ainda não provei que a AMO.
Tivemos o BERNARDO, o moço dos SORRISOS mais lindos e eu acho que o amor que eu sinto por ela se exteriorizou um pouco mais. Mas ainda falta muito e muito para mim mostrar o quanto eu a AMO, tal qual ela faz para comigo.

Amanhã íamos viajar. Tentar fazer umas micro férias de 3 dias, mas não vai dar mais.
A MARIANA, a minha Mariana, está no hospital desde quarta-feira. Ela teve um AVC e o estado ainda é crítico. Ela está lutando pela vida!

Pensei em não falar nada para quase ninguém. Mas eu estou com tanto medo que eu resolvi recorrer a vocês, meus amigos.
Chorei raríssimas vezes na minha vida mas nestas últimas 30h me peguei chorando como um bebê diversas vezes. Estou com muito medo.
Todos que puderem rezar pela Mari, eu agradeço. Não conseguirei jamais retribuir a todos, talvez, mas jamais esquecerei.

Mariana eu te amo! E tu sabe que tem que sair dessa, porque temos que "levar o Bê para viajar".

Deus esteja conosco!

Muito obrigado a todos!"
(facebook - 02/06/2017)



segunda-feira, 29 de maio de 2017

Se findou o maio

Não foi um bom mês de maio. Ao menos para mim. Até poucos anos atrás, os meses de agosto representam o marasmo que hoje parece ter recaído em maio. Maio é um mês cansativo que parece que nunca vai acabar. Era assim agosto, outrora.

Pois agora agosto é um dos meus meses de maior felicidade. Como nem tudo é perfeito, a maio fora relegado os dias não tão felizes.

E vida que segue.

***

Dias atrás eu perguntei aqui quem caia primeiro, Temer ou Zago. O último foi primeiro.

Crônica da tragédia anunciada.

E Temer? 

O próximo da fila.

***

Difícil escrever algo quando os assuntos são mais do mesmo. Até os graves episódios de cheias de rios e alagamentos não são novidade.

Então, porque ainda acontece?

Porque os políticos tem coisas mais rentáveis para fazer, ora bolas.

***

Maio era o mês das noivas, até pouco tempo atrás. Claro que eu sei que continua sendo, mas esta fama parece cair no esquecimento. Virou o mês das mãe. Muito útil. Mas poderia acabar uns dias antes.

Fechamos as porteiras. Que novos e bons tempos apareçam em junho.

Boa semana a todos.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Num tempo feio

Em dias como hoje, chuvosos, me parece que a nostalgia que vive aflita dentro de mim se transforma numa agonia. Fico a relembrar das coisas de ontem, com um saudosismo que já me é característico. Os que aqui me acompanham, sabem bem disso.

Não consigo achar que me faz mal ficar relembrando o passado. Muitos dizem que quem vive o passado desconhece o presente e não construirá o futuro. Não penso assim. Isso porque eu sigo vivendo e relembrando, tudo ao mesmo tempo. Daqui há alguns anos, provavelmente, posso estar aqui neste espaço falando justamente deste dia. Assim como lembro da minha infância, em breve estarei relatando a saudade de coisas pequenas que o Bernardo hoje faz e eu sentirei falta quando ele crescer e me responder com um singelo "pai não enche".

O ano de 2002 para mim foi um dos mais difíceis destes quase 30. Passei alguns perrengues na minha vida colegial e pouco posso dizer que aproveitei naquele ano. Mas foi em 2002 que um grande músico, que agora completa os mesmo 30 de carreira, ganhou a notoriedade e fez o Rio Grande e o Brasil, enfim, valorizarem o seu talento. Falo-lhes de LUIZ MARENCO.

Pois foi em 2002 que o grande sucesso "Batendo Água" ganhou as rádios e os palcos gaúchos. Ouso dizer que é um dos últimos grandes sucessos arrebatadores que vimos nascer por aqui, daqueles que se não tocar nos fandangos o povo vai embora reclamando.

Vamos combinar que falar de batendo água é algo propício para hoje e os dias que seguem, já que o aguaceiro tomou conta de quase todo o Rio Grande.

Guardo comigo até hoje o disco ao vivo do Marenco, com Batendo Água e outros tantos sucessos, poesias cantadas que falam das coisas do nosso Pago e relatam com propriedade a história do nosso povo. Ouvir Marenco, num dia como hoje, é lembrar das coisas boas de ontem, pensar nas coisas boas a se fazer amanhã e acalmar os ânimos para o dia de hoje.

"Meu poncho emponcha lonjuras, batendo água".

Talento do Marenco. Talento do Gujo Teixeira.

Alegria nossa e sorte maior ainda, de ter nascido Gaúcho.

Hoje cruzo o dia ouvindo coisa boa. Pensando em novos desafios, por que, "mesmo que o mundo desabe num tempo feio, sei o que as asas do poncho trazem por dentro".

Bom final de semana a todos e um forte abraço.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Um lugar ao sol.

Um velho amigo me sugeriu falar, por aqui, da situação do país. Disse que me ajudava a escrever um artigo, inclusive. Pois eu sugeri que ele faça o artigo e eu publico aqui. Bem mais rápido, pois, confesso que não tenho tido inspiração para falar sobre a política do país.

E pensar que sempre fui um fã de política.

Lembro dos tempos de ensino médio (o velho segundo grau) em que muito discutia sobre política, principalmente com o meu amigo Rodrigo de Bem Nunes, outrora colaborador deste blog. Não temos conversado muito. Uma sucessão de mal entendidos nos afastou um pouco. Ele acha que tem razão e eu também. Como isso acaba? Não sei. Mas para o bem da amizade espero que acabe bem e logo. A verdade é que o país precisa deste nosso debate (hehehe).

Mas continuamos grandes amigos. Uma hora nos damos conta disso. Nos abraçamos e encerramos essa bobagem toda. Vou lembrar ele das "sextas da paixão" (hahaha). Vamos dar boas risadas e seguir a vida. Também estou em dívida com outro amigo, o Antônio. Só por causa dele é que virei blogueiro. Nos afastamos. Uma lástima. A culpa é minha. Prefiro pensar assim. Talvez um dia a gente se encontre e eu consiga reparar o erro que cometi, embora não saiba ao certo qual seja. Mas a culpa é minha e prefiro que seja assim.

Pois nestes tempos passamos (Rodrigo e eu) a fazer redações para os colegas. Tudo começou com ele e depois resolvi colocar uma concorrência na história (hehehe). Certa feita, o tema da redação proposto pela professora Vera Lúcia era o voto. Tínhamos de traçar linhas e mais linhas dizendo se eramos favoráveis ou não à obrigatoriedade do mesmo.

Fiz dez redações sobre isso. Partindo da minha, e favorável ao voto obrigatório, escrevi mais quatro. Tentei não parecer que fui em quem fiz. Para não dar muito na cara, as outras cinco fiz contrário ao voto obrigatório. Foi muito difícil fazer isso. Sempre tive minhas convicções e atentar contra uma delas foi um exercício e tanto. Tanto é que, de longe, não foi a melhor que escrevi naqueles tempos.

Pois, hoje, pensando melhor, acho que já não seria mais favorável ao voto obrigatório. Parece que até a minha convicção tá caindo em descredito a luz dos acontecimentos que permeiam Brasília e nos fazem, a esta altura, já ter certeza que dificilmente um dia o Brasil dará certo. 

São dias de tempestade. Quando passar, se é que um dia isso ocorrerá, nos restarão dias e mais dias. Talvez ainda outros dias; todos nublados. Não há previsão de sol mais para o Brasil. 

Talvez, meu amigo Rodrigo, fosse prudente afirmar que não há "nada de novo" debaixo das nuvens. E que bom seria se pudéssemos avistar em algum momento o sol, do jeito que fosse. E que buscar um lugar ao sol deixasse de ter uma conotação perniciosa, tal qual parece acontecer nestes nossos dias.

Um lugar ao sol!

Minha saudação à professora Vera Lúcia Winter, aqui referida e grande profissional.

Meu abraço ao Rodrigo e ao Antônio, que acredito que ainda me acompanham por aqui.

Meu abraço a todos e uma boa semana.

sábado, 20 de maio de 2017

Chasquinho

Fica até difícil falar de alguma coisa mais tranquila quando o país parece uma chaleira fervendo e sem tampa. Não sei o que vai acontecer, mas como eu previ, e por aqui já referi, os tempos vindouros para o Brasil são nebulosos.

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Poderia dizer que o circo em Brasília está pegando fogo. Mas gosto muito do circo, acho uma das artes mais bonitas que temos e é um desrespeito com esta arte e com os seus artistas fazer este tipo de exemplificação.

Prefiro, então, dizer que o país é uma chaleira chiando ou um fio desencapado.

Hehehehe (é rir para não chorar)!

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Vivemos momentos complicados. Acho que a nossa sociedade tem problemas e por isso não têm conseguido enfrentar a mazela política do país como deve. Mas este é um assunto que talvez possamos falar em outro momento, de forma mais abrangente.

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De novo se foi a sexta e não consegui chegar a tempo. Então vai no sábado mesmo, embora lamente, pelo respeito a vocês, nobres leitores.

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Perguntinha:

Quem cai primeiro?

Michel Temer ou Antônio Carlos Zago?


Pois o tempo, aquele velho conhecido nosso, dirá.

Acho, e só na base do achômetro, que ambos vão cair. Quem vai primeiro, daí depende do empurrador.

Bom final de semana a todos.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

A mosca do sono

Na minha infância, ainda morando em São Chico, a Dona Rosane, minha mãe, fez assinatura dos gibis da Turma da Mônica. Na época confesso que não dava muita bola, mas anos depois passei a ser um fã e li e reli milhares de vezes cada revistinha. Ainda guardo as mesmas até hoje, dentro de uma caixa dum velho chapéu que ganhei quando era criança.

Numa das tantas revistas, da própria Mônica, havia a história duma "carranca" que havia sido encomendada por personagens estranhos. Quando abriram a caixa da encomenda, saiu uma mosca que picou o Cascão, tendo este entrado em sono profundo e não acordado mais. Como o Cascão não tomava banho, a mosca morreu com a sujeira e o personagem do Franjinha, cientista da turma, descobriu que se tratava da "mosca tsé-tsé", a mosca africana do sono.

Pois eu confesso que uma mosca dessa podia me picar, ao menos nos finais de semana. Tenho chegado às segundas sempre meio cansado. Cada noite de sonho é uma noite mal dormida, impressionante!

Pode ser fruto duma alimentação errada ou do estresse da semana anterior. Claro que não posso culpar os sonhos, mas dormir melhor é importante para a produção do dia seguinte. Enfim, terei de achar uma forma alternativa à mosca do sono hehehehe.

Por falar em minha mãe, aproveito para felicitar todas as mamães pelo dia de ontem. Mãe é mãe e não precisa definição melhor.

Boa semana a todos.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Chasque

Já faz uns dias que to programado para contar umas novidades da nossa música gaudérias, mas diversos compromissos foram empurrando o assunto. Hoje, porém, estamos aqui com um chasque de música gaúcha:

TCHÊ GAROTOS ORIGENS

A banda Tchê Garotos anunciou no início deste mês o projeto Origens, que remete a volta da formação original da banda, com Luiz Cláudio e Fernandinho, nos vocais; Sandro Coelho, na guitarra; e os remanescentes da formação original: Markinhos Ulian, gaita; Léo Bruni, baixo e Sagui, na bateria. Faltou o Nielsen Santos, na gaita ponto, que por motivos de saúde não toca mais.

Inicialmente serão quatro eventos, mas, nos fãs reina a expectativa de que se possa bailar ao som do velho e bom Tchê Garotos por mais tempo.

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OS MATEADORES

O vocalista Daniel Vargas comunicou sua retirada dos palcos, ele que foi pai recentemente e pretende se dedicar mais à família. Foram 3 anos de Os Mateadores e alguns sucessos marcantes na sua voz. O Daniel entrou para substituir o Gilmar Parentte, quando este resolveu se converter à religião.

Curiosamente, é o Parentte que volta à música gaúcha e aos Mateadores para assumir a voz principal do grupo.

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ALAN MOREIRA

Meu amigo Alan Moreira, grande talento da gaita gaúcha, que estava em carreira solo acompanhado pelo Tchê Moçada, anunciou esta semana que no final deste mês passa a integrar o seleto time de João Luiz Corrêa e grupo Campeirismo.

Com passagens por Os Mirins, Os Serranos e Candieeiro, Alan volta a ganhar destaque no cenário da nossa música.

Sucesso!

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CONJUNTO FOGO DE CHÃO

O gaiteiro Paulo de Souza Jr., de Novo Hamburgo, que há pouco participou do dvd de 45 anos d'Os Monarcas, e com passagens pelos grupos Chão Gaúcho, Chão Nativo e Sangue Farrapo, anunciou esta semana que passa a compor a formação do grupo Fogo de Chão, tradicional conjunto catarinense. Lá já está o Maikel Ivan, outro grande músico daqui da região.

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FESTA DO PINHÃO

A Festa do Pinhão de São Chico este ano será no mês de julho, entre os dias  07 e 16. Voltará a se realizar no Parque Davenir Peixoto Gomes, a popular Balança, o que divide opiniões na cidade. Eu, particularmente, acho que é o local com melhor estrutura, mas também o de maior difícil acesso.

O que me preocupa mais, todavia, é ainda ter pinhão na época.
Mas lá estarei para prestigiar minha terra.

Bom final de semana a todos.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Estranha loucura

Não falo de questões jurídicas por aqui. Sou advogado, sim, mas o blog não tem este viés tão técnico e procuro não ficar abordando temas do gênero. Na realidade, nunca abordei e nem pretendo fazer, por ser uma linguagem mais rebuscada que, muitas vezes, as pessoas não entendem ou dão sentido diverso.

Tanto por isso que resolvi falar, e de forma objetiva, sobre a peleia (bem delineada, por sinal) "Lula vs. Moro", pois acredito ser uma guerra muito mais política do que jurídica. Deixo claro que sou eu que acredito isso. E ponto.

Não sei, algo me diz que este circo todo criado só está ajudando o Lula a se eleger o novo presidente do país. A cada não do Moro ao Lula é mais uma centena de votos que ele assegura. E aqui falo em tom opinativo e sem pender para algum dos lados.

Acreditem e quem me conhece sabe: nem Lula e nem Moro fariam parte duma roda de chimarrão iniciada por mim.

Lamento muito pelo Brasil em razão de ambos.

Mais não digo, pois este assunto tá que nem discutir religião. Tem muita paixão envolvida. 

É uma estranha loucura!

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Não é quarta-feira o dia certo de eu estar por aqui. É segunda, tolerando-se a terça. Mas desta vez não deu e estou aqui numa quarta.

Uma das notícias de hoje é a morte do ator Nelson Xavier. Considero uma perda para a cultura brasileira, pois era um profissional dedicado e competente. Nunca foi galã, mas conhecia do riscado.

Dias atrás morreu o sambista Almir Guineto, outro insubstituível.

Tenho, sim, que abordar tudo isso com saudosismo, pois os que morrem não têm substitutos a altura.

Lamentavelmente a qualidade de hoje é muito superficial.

E assim vão se superficializando os dias...

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Parabéns ao Novo Hamburgo pelo título gaúcho. Futebol não é muito afoito à justiça. Desta vez foi. Espero que o mundaréu de torcedor que surgiu agora vá lá abraçar o "seu clube", ajudar daqui para frente. Conheço a realidade do Novo Hamburgo e a verdade é que meia dúzia tão lá peleando pelo clube. E só.

Agora é a hora da mudança deste quadro.

Boa sequencia de semana a todos.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Coração selvagem

Artistas como Belchior, de vida quem sabe incompreendida, e arte talvez com um "que" de abstratismo a mais, não passarão e sim passarinho, como assim definiria outro gênio, de igual gênero, o poeta gaúcho Mário Quintana. 
A verdade, a minha pelo menos, é de que a vida é um ser abstrato, com natureza subjetiva, mas afoita a perguntas do que respostas.

Os que aqui me seguem sabem que sou um taura do Rio Grande; e por assim ser, praticamente só ouço as coisas do pago. Isso não significa que não gosto de ouvir coisas boas de outros gêneros musicais.

Certa feita meu pai apareceu com um disco do Belchior. Me chamava atenção muito mais o seu estilo estético, com aquele bigode que demonstrava que ele não estava aí para esteriótipos já preconizados pela sociedade naquela época, do que pela sua música. Afinal, quem é Belchior? Perguntava-me. Daí, num hit de "foi por medo de avião, que segurei pela primeira vez a tua mão", que algo me dizia que valia a pena ouvir aquele artista do Ceará, pois havia qualidade além do normal naquele disco. 

Outra verdade é que Belchior não compunha músicas com a ideia do 1 + 1= 2, tal qual é a previsível indústria musical dos dias de hoje. As músicas de Belchior não eram só o que aparentavam, mas muito mais, pois iam além. Óbvio que o tempo verbal correto não é esse, pois o talento do Belchior não encerra com sua morte. É eterno.

Pois quis o Sr. Antônio, seu primeiro nome, afastar-se da vida social e do "show business". Há quem diga que tudo era por neurose nutridos pela sua atual mulher, Edna. Não sei se isso procede ou não, mas a bem da verdade é que é bem possível. Seres como Belchior tem o coração selvagem, quase sempre indomados, não afoitos à reclusão.

Mas também, o coração selvagem do Belchior pode simplesmente, por vontade própria, ter optado pela ausência. Ausência dele para conosco, mas não dele para com si mesmo. Cada qual com suas vontades, seus medos e anseios. 

A notícia de que sua morte ocorrera aqui, em solo gaúcho, pegou de surpresa, inclusive, os moradores de Santa Cruz do Sul, que em sua esmagadora maioria sequer sabiam que conviviam com este ícone da musica popular brasileira. Há 10 anos deu provavelmente sua última entrevista para a televisão. Há pouco mais de 3 anos, apareceu em Porto Alegre e conviveu com jornalistas do Correio do Povo/rádio Guaíba. Depois, sumiu do grande público novamente. Aos bem próximos, mesmo, dizia que queria fazer uma volta triunfal. Muito animado num dia, vacilante já no seguinte.

A verdade é que o coração selvagem de Belchior deveria estar cansado da reclusão. O coração do artista é motivado pela manifestação daquilo que o pensamento lhe trás. Inteligente, creio que o pensamento de Belchior transbordava e seu coração louco ansiava por liberdade, pelo palco, pela música, pela arte, pela vida...

Eventual perturbação da mente, talvez, tenha sufocado o seu coração que, depois de 70 anos, parou de bater. Ou, a se encontrar, entendeu que precisava duma "nova aventura", julgando que a morte não é o fim, mas apenas o começo...

"Há tempo, muito tempo, que estou longe de casa..."

Não tive a oportunidade de ver um dos seus shows. Queria poder chegar perto e lhe dizer o quanto admirava sua composição "Como nossos pais", sucesso na voz de Elis Regina (outra artista de mesmo quilate) eu que não escondo viver em nostalgia e saudosismo, quase sempre. 

Morreu Belchior e eu passei a semana inteira pensando em como relatar isso por aqui. Talvez um texto mais subjetivo, em forma de crônica, se adapte melhor a realidade da notícia. Optei por publicar hoje, sexta-feira. Algo me diz que artistas como Belchior gostam mesmo da sexta.

Passei a semana em silêncio, "a palo seco".

Morreu Belchior que, na sua definição, irretocável, era "apenas um rapaz latino americano".

"Meu bem, o meu lugar é onde você quer que ele seja
Não quero o que a cabeça pensa eu quero o que a alma deseja
Arco-íris, anjo rebelde, eu quero o corpo tenho pressa de viver"

Coração selvagem, tem pressa de viver.

Viva em paz, Belchior!

***

Voltamos as publicações normais na semana que vem.
Notícias importantes no mundo gaudério.

Bom final de semana a todos.