terça-feira, 6 de outubro de 2020

Campanha de verdade

Embora não tenha lá uma idade muito avançada, cresci vendo meu pai fazendo campanha política, num tempo quase que romântico, quando se pegava parelho na corrida do pleito muito mais em função da ideologia do que em razão do poder.

Hoje, convenhamos, os projetos são pelo poder e não para as cidades.

Veja-se que naquele tempo eu corria comício pelo interior de São Chico, sem exceção. Ou seja, até mesmo na Itagiba, tapado de mosquito borrachudo, o povo lá estava para ouvir os candidatos, muitas vezes na base do berro, já que sistema de som era precário.

Só que com o passar do tempo o povo da política perdeu o ânimo até para fazer campanha política. Comício de verdade eu não vejo há uma década; hoje virou moda fazer auê em rede social, fazer filmezinho bem produzido com com drone e sei lá mais o que, editado, ou seja, o vivente sequer precisa ser bom no discurso e na oratória.

A campanha política ficou glamourizada. 

Veja-se que a nova moda agora é fazer "adesivaço". 

Como se carro votasse ou superasse a velha forma de se divulgar o candidato.

Há limitação de contato e desnecessidade de aglomeração em função da pandemia?

Obviamente.

Mas alguém respeita isso por acaso aqui no Brasil?

Se fosse por este motivo, sequer eleição deveria ter, convenhamos.

Campanha de verdade ficou no passado. Assim como o comprometimento dos políticos para com o povo e a coisa pública.

Uma pena.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

O velho e o novo

Esses dias, me peguei contando à minha esposa sobre como era Novo Hamburgo quando da minha chegada, em 1996. Claro, mais atento a rua onde eu morava, e aquelas da volta do bairro. Tudo, na verdade, para chegar a conclusão que a história aos poucos vai se apagando, a medida que a arquitetura (que é uma forma de arte e de contar história) vai mudando, ao passo que antigas casas estão dando lugar a, na sua maioria, prédios verticais para melhor aproveitar o espaço. Na Aloysio Azevedo, então, a rua da minha primeira morada, a fotografia hoje é muito, mas muito diferente mesmo.

É o claro conflito entre o velho e o novo.

O tema aliás, não é recente por aqui, pois já abordei do mesmo em outras oportunidades, ainda que falando sobre Novo Hamburgo, cidade que me acolheu quando saí de São Chico.

Só que São Chico, a bem da verdade e aos poucos, está seguindo um rumo parecido.

Dias atrás por lá estive e comecei a me deparar com casas que não existem mais, que estão sumindo para que novas casas ou novos prédios sejam construídos ou mesmo repaginados, maquiando parte da história bonita da cidade.

Sei que sou saudosista, mas algumas realidades são diferentes das outras. Tem casas que são eternas. Nesse mesmo período, falava com uma cliente que foi explicar onde era o comércio que trabalhava, dizendo que ser onde era a fulana de tal, quando antes mesmo dela encerrar eu completei: sim, onde era o Rei do Frango? Momento em que ela se assustou por eu saber da história de um dos mais icônicos estabelecimentos comerciais gastronômicos de São Chico, que cheguei a ver já em decadência, mas ainda com as portas abertas.

Se tu falar em Bar Xodó, outro ícone, a nova geração franciscana não faz ideia do que estou falando. O que me perturba é que se um estabelecimento atual fechar, destes que abriram recentemente, tanto fez tanto faz, as pessoas se preocupam com o que vai abrir no lugar. Mas o Xodó tem uma geração toda que sente falta, como o velho cinema, o café do Paulista, a farmácia da Dona Zilá ou a Discolândia.

Isso é história que o tempo está transformando em pó. 

A questão é que dentre o claro conflito entre o velho e o novo, o velho sempre terá histórias para contar. Mas o novo, conseguirá tal façanha?

Pois é. Pois é. Pois é.

Boa semana a todos.

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Três anos sem o mestre

Quem me acompanha por aqui, sabe que valorizo e lamento muito as perdas na nossa música gaúcha (e brasileira, mundial, qual seja). Os grandes artistas morrem e com o passar do tempo nós vamos deixando cair no esquecimento. Eu mesmo me assustei quando escrevi a publicação fazendo referência aos 5 anos do falecimento de Rui Biriva (ano que vem faz 10 anos - pasmem) ou do grande José Cláudio Machado que em 2021 completa uma década também.  O tempo voa.

Toda a perda é irreparável e insubstituível. Quando é de um artista, além da pessoa perdemos a relação com seu talento.

Enfim.

Hoje faz 3 anos que faleceu o grande mestre da gaita gaúcha Adelar Bertussi.

Lembro como se fosse hoje, estava eu em São Chico trabalhando quando fui sacudido com a informação da manhã do sábado.

Uma perda, sem dúvida alguma, irremediável.

Quem bom que sua música Bertussi, entretanto, segue no compasso fandangueiro de todos os grupos bons de baile.

É um legado que nunca acaba.

Fazes falta, mestre Adelar.

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Música gaúcha e teatro

Nossa música regional, em que pese os acordes que buscam em verdade mostrar o quão bela é nossa simplicidade, nunca esteve longe dos grandes salões e das casas de grandes espetáculos. A música nativista, aliás, é bastante presente inclusive em teatros do Brasil inteiro.

E a música fandangueira, entra no teatro?

Pois Os Serranos estarão no Theatro São Pedro, domingo, mostrando que o fandango pode sim, estar num dos ambientes mais refinados da cultura e da arte. 

Não há limite para a boa cultura e a música feita com qualidade e excelência.

Parabéns, Os Serranos!

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O grupo Som do Sul, de músicos egressos de Os Serranos, também faz live nesse final de semana. Será sábado, às 20h, nos canais do grupo - diretamente do Vale dos Vinhedos, na nossa Serra Gaúcha.

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Neste final de semana tem a final do Freio de Ouro, no parque Assis Brasil, em Esteio, dentro do projeto inédito da Expointer vistual.

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Domingo, dá-se início a mais um processo eleitoral no Brasil, que visa definir aqueles que irão administrar municípios e definir os legislativos municipais.

Apesar dos pesares, a verdade é que o clima para campanha está bem morno, mas o clima das campanhas está quente.

Projeto para as cidades ou projeto de poder?

Bom final de semana a todos.

domingo, 20 de setembro de 2020

Gente que não perde o tutano e garra

Todo santo ano é a mesma coisa. Alguns intelectuais com a conversa de que não entendem porque comemoramos uma guerra perdida, que deveríamos ter vergonha de alguns episódios e que isso e aquilo outro. Agora, que as pessoas estão mais por casa (ou deveriam - ao menos), aflorou-se a questão novamente. 

Troço chato.

Vou me repetir e não gastar muito a minha beleza. Trago novamente o que por aqui publiquei em 20 de setembro de 2012, para não deixar margem alguma do que penso:

Os que tem tutano e garra

Quando o General Bento Gonçalves da Silva tomou as rédeas da República Riograndense, depois da proclamação proferida pelo destemido General Antônio de Souza Netto, estava ali estabelecido o principal ato da nossa Revolução Farroupilha. Denota-se que tal fato ocorrera em 11 de Setembro de 1836. Logo, por este aspecto, a data a ser comemorada seria esta e não o 20 de Setembro, quando iniciou-se a Revolução (há, inclusive, discussão nesse sentido). Todavia, penso que o nosso 20 de Setembro já é data calcificada nos ditames de nossa história, haja vista que ali, há cento e setenta e sete anos atrás, ecoava o grito de liberdade, de respeito aos nossos patrícios e a nação do Sul do país. Ali, não se discutia o anseio de alguns, mas sim, de muitos, de uma maioria peleadora que já estava cansada do cabresto que tentavam nos impor. A nossa história é manchada de sangue? Sim. Mas também de suor, lágrima e fundamento. O sangue escorrido foi dos brados combatentes que ousaram se rebelar à tirania imperial. E o resultado da guerra veio forjado pela nossa liberdade.
De lá para cá viemos aos poucos enaltecendo a nossa tradição farrapa. Para os que pensam que somente “ontem” passamos a valorizar o que é nosso, no mínimo é um alienado. Ou, deve viver a história dos outros. Virtude, Gaúchos e Gaúchas, é algo que deve estar impregnado entre nós. Os que andam por aí, de boca em boca, minimizando o que é nosso, sequer sabe o significado de virtude. E aqui, não peço que ninguém passe a utilizar bombacha ou um lenço no pescoço para provar que é gaúcho. Basta saber que não foi à toa que muitos dos nossos pelearam por quase uma década. Se hoje temos o respeito dos de fora, é porque ontem alguém doou sua vida em prol de um objetivo e de um legado que paira em nossas consciências. Senhoras e senhores, que os nossos Farrapos não tenham peleado e morrido em vão.  
Quando digo que até hoje cultivo os ideais separatistas, é porque tenho a certeza de que o nosso povo, por si só, é capaz de conduzir a sua nação. Nós nascemos para viver em liberdade, para cultivarmos a nossa própria cultura e história, eis que sabemos da onde viemos e para onde queremos ir. Hoje, neste dia 20 de Setembro, encho-me de orgulho para dizer que SOU GAÚCHO. Um dia antes e um depois, mantive e manterei o mesmo sentimento. Aqui no Rio Grande, trazemos com altivez e na ponta dos cascos a nossa história de luta. A data de 20 de Setembro é um símbolo de uma história que a cada dia se constrói em cima da peleia de outrora. Serve para relembrarmos Bento, Netto, Corte Real, Garibaldi, Anita, os Lanceiros Negros, eu, você, enfim, nós os Gaúchos que construíram e que constroem essa história. Esses são os GAÚCHOS, povo de brio, valor e essência. São esses os que tem tutano e garra.
 
Viva o Rio Grande e todo o nosso povo.
Que baita orgulho Tchê, ter nascido Gaúcho. Uma marca que nunca se apaga! 

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Drive-in

E as novidades para a música gaúcha, que começaram com as lives, ganham um novo incremento: o show drive-in.

Muitos grupos da nossa música gaúcha, agora ao longo do mês farroupilha, irão tocar bailes com as pessoas assistindo de seus veículos, algo que pelo que sei no Brasil foi apresentado pela música sertaneja e aqui em Porto Alegre foi já realizado pela dupla Cesar Oliveira e Rogério Melo.

Evolução sem modismo. É a adaptação aos tempos de hoje.

Mas será que já não se poderia estar pensando na volta dos fandangos?

Pergunta, apenas, sem discursos inflamados a favor ou contra, por favor.

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Na próxima quarta-feira encerra-se o período para a realização de convenções partidárias em prol da eleição municipal de 2020 que, neste corrente, se dará em 15/11.

Não sei se isso é uma boa ou má notícia, enfim.

Por falar em drive-in, serão realizados comícios nesta modalidade?

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Saudade duma boa campanha eleitoral!

Mas já passou.

Hehehe

Boa semana a todos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Dia da Pátria

Obviamente este ano as comemorações do 7 de setembro tem um quê de decepção pela situação da pandemia, que inibe aglomerações (ou deveria).

Mas é certo também que o brasileiro, e vai tempo isso, perdeu seu patriotismo, se é que algum dia efetivamente o teve. Somos mais patriotas em tempos de Copa do Mundo que nas comemorações decorrentes da pátria. 

E isso mostra muito do porque o Brasil parece que nunca toma ruma.

Aqui no Rio Grande somos muito mais altivos pelo nosso gauchismo, do que pelo 'brasileirismo'. Setembro é o mês farroupilha e não o mês da pátria. 

7 de setembro é muito mais um feriado do que um dia de dedicação à pátria.

E isso se reflete, enfim, na hora do voto. O brasileiro, de regra, e despreocupado inclusive com aquilo que é seu.

Onde vamos parar?

Não sei. Mas que Deus nos ajude.